O toca-discos Technics, uma lenda que virou um clássico

O toca-discos Technics, uma lenda que virou um clássico
O eterno clássico: Technics SL-1200/1210 MK2
Publicado em: 03 de Agosto de 2015

Se existe uma palavra mágica no mundo dos DJs esta palavra, certamente, é Technics. E quando ela se junta a consoantes e números míticos (SL-1200 MK2 e SL-1210 MK2) você obtém uma conjunção planetária única. Sinônimo de tantas coisas como o próprio termo DJ, hip hop, música eletrônica, scratch, robustez, confiabilidade, status, estabilidade, beleza, entre inúmeras outras. Para mim, um instrumento que beira a perfeição, e olha que sou bem exigente nesse assunto. 

Minhas primeiras turntables (toca-discos) foram um par de Technics 1210 MK2 compradas em 2001, na Turnkey,  em Londres (na minha humilde opinião, a que foi uma das melhores lojas de instrumentos eletrônicos do mundo). 

Não pensem que foi fácil, ralei muito pra guardar a grana e um amigo meu (o Sapão) inteirou as Libras que faltavam por uma semana. Falando nisso, você já recebeu, Sapão?

Utilizadas até hoje em nossa escola, a Yellow DJ Academy, elas são a prova de que o mundo é capaz de produzir objetos realmente incríveis e, neste caso, praticamente indestrutíveis. Esse par passou por minhas gigs na Inglaterra, pelas mãos de milhares de alunos em nossa escola, foram usadas e assinadas no show do Afrika Bambaataa, em Curitiba, sendo que uma delas, certa vez, foi queimada ao ser ligada em 220V e, mesmo assim, continuam como novas, como um perfeito e fantástco tanque de guerra deve ser. 

A história por trás do toca-discos Technics

A Matsushita, empresa responsável pela marca, em 1972 lança a TECHNICS SL-1200, uma turntable (perdão, mas creio que o termo "pickup" só existe em nossa língua, pelo que sei) destinada ao mercado do consumidor que buscava um sistema de reprodução de alta fidelidade. O fato é que esta máquina foi prontamente adotada por DJs de clubes e rádios, mesmo não sendo este o foco da empresa.

A evolução Technics

No ano de 79, a versão MK2 foi lançada, o que incluia várias melhorias: alterações no motor, remodelamento da carcaça e, para nós DJs, a mais significativa mudança: o pitch passa a ser acessado por um slider deslizante, o que a tornou própria para a discotecagem.

Os diferenciais deste sistema

Um dos diferenciais deste equipamento é o uso de um sistema chamado Direct Drive, que tem como característica posicionar o motor logo abaixo do centro do prato (o elemento metálico, que leva o vinil a realizar o seu movimento de rotação) e diretamente conectá-lo ao mesmo, sem o uso de correias (cintas), como no modelo Belt Drive. A primeira das turntables, comercialmente disponível, a usar essa tecnologia foi a SP-10, da TECHNICS, em 1970.

Esse tipo de sistema tem a vantagem de gerar maior torque, o que faz com que o prato esteja menos suscetível à forcas externas. Outros pontos a serem observados são: maior arranque - 0.7s até atingir sua rotação ideal - e menor taxa de ruído. Mas, para mim, o que representa a maior habilidade de uma DD (Direct Drive) é a estabilidade de sua  rotação, primordial pra uma boa mixagem.

Em alguns modelos de Direct Drive o prato é o próprio rotor, sendo que o mesmo é guiado pelo campo magnético criado pelas bobinas encontradas no toca-discos, o caso das MK2 e, com certeza, um dos fatores determinantes para uma manutenção "quase zero" destes tanques de guerra.

Outras características das Technics MKII

Outras características deste modelo são seu braço em forma de S, pitch com alcance de + ou - 8%, ajuste para altura da torre, controle de ajuste de "anti-skanting" (capaz de reduzir a tendência natural que o braço da turntable tem de ir de encontro ao centro do vinil), peso ajustável para o braço, pop-up target light (pequena lâmpada retrátil usada para a melhor leitura dos sulcos) e a capacidade de rodar vinis tanto de 33 como de 45 rotações. 

A ser observado

O que considero a única pequena falha nesta versão é o ajuste do pitch quando o mesmo se encontra em 0%, ou próximo disso. A trava, ou centro detentor, que permite o posicionamento exato do pitch em 0% (significa que o vinil é tocado neste momento em sua velocidade original) atua de forma negativa quando tentamos realizar pequenos ajustes de velocidade nessa região. Ou seja, não há boa resolução próxima a 0%, devido a essa trava. Essa região da régua do pitch é por nós, DJs, chamada de Dead Zone (zona morta).

Sucessores MKII

Os modelos posteriores à MK2 (e específicos para a discotecagem) foram a versão MK3, M3D (a primeira a incluir "reset" para o pitch e, assim, eliminar o problema causado pela trava), MK5 (uma das minhas preferidas) e MK5G. 

Em 2007, a empresa, em comemoração aos 35 anos de lançamento do primeiro modelo 1200,  disponibilizou a Technics SL-1200 MK6K1 Limited Edition Turntable, o que inclui apenas pequenas modificações a esta máquina que nasceu a frente de seu tempo e, sem duvidas, é um indiscutível clássico. 

Curiosidade: a única diferença entre os modelos 1200 e 1210 é sua cor, onde 00 indica prata e 01 preto. E embora algumas lendas urbanas queiram nos convencer do contrário, os dois modelos possuem a mesma especificação técnica.

 

Postado por Thiago Nakaguishi

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