DJ Murphy, uma unanimidade do Techno.

DJ Murphy é uma das principais referências do Techno atual. Tocou em eventos pelo Brasil e pelo mundo, sempre com uma performance marcante, conduzindo as pistas com estilo e técnicas únicos. Fica aqui pra conhecer um pouco sobre a história de DJ Murphy, um gigante no mundo do Tecnho. 

Começo de Carreira

DJ Murphy começou em 1992, influenciado pelo acid house e hip hop. Em 1993, ele começa se transforma em um profissional das pistas tocando na periferia de São Paulo, passeando pelo house, techno, hardcore e jungle. Já nesse início de carreira acabou elegendo o techno como o seu único estilo. Sua história não apenas coincide com a a história da música eletrônica no Brasil como também o fez se tornar parte dela. Com sua competência, talento e dedicação não demorou para que crescesse dentro do cenário nacional e internacional e conquistasse o merecido reconhecimento. 

Performance

Estamos falando aqui de uma lenda da música eletrônica. E não é à toa, sua performance ao vivo impressiona muito. Virtuosismo, elegância e vanguarda dão o tom das performances de palco de Murphy. Em meio a scratches e mixagens precisas, essa lenda consegue tocar 4 músicas sobrepostas em perfeita sincronia.  

Saca o cara mandando ver no Inox Electronic Club, na França: 

DJ Murphy e o reconhecimento

Em 2006 é escolhido o 6º melhor DJ do mundo pela publicação alemã Raveline. No mesmo ano, é eleito pela segunda vez como o melhor DJ do Brasil no ranking da revista DJ Sound. Hoje, Murphy coleciona apresentações por mais de 35 países diferentes. 

Curta o som do Murphy

 

DJ Murphy está confirmado no Encontro Yellow de Cultura Eletrônica de 2018. Uma ótima oportunidade de conhecer de perto essa lenda do Techno.  

 


Mesmo com toda a informação disponível sobre a profissão, é natural que algumas pessoas – seus pais, ou parentes mais próximos – possam apresentar alguma resistência à sua decisão ser DJ profissional. 

A maior parte desse preconceito vem da ideia de que quem trabalha com arte na realidade não trabalha. Que só com muito esforço e dedicação você consegue conquistar algo – como se em música, pintura, escultura, cinema, etc. as pessoas não precisassem matar um leão por dia. Quem não conhece essa cena?

“O que você faz da vida?”

“Ah, eu sou DJ!”

“Mas com o que você trabalha?”

Por mais cômica que essa situação seja, ela ilustra o que acontece com muitos profissionais da música. Para algumas pessoas, trabalho bom é aquele em que você fica na empresa de segunda a sexta, durante oito horas, usando um terno ou um uniforme. Carteira assinada, direitos trabalhistas garantidos, estabilidade. Pode até ser, mas não pra todo mundo. Trabalho bom é aquele com o qual você se identifica e te faz feliz, te realiza como profissional. 

Então, se você está decidindo optar pela carreira de DJ, mas já prevê uma resistência dos seus pais, é bom estar preparado. Por isso aqui vão algumas dicas para você ficar mais tranquilo nos empasses com a família nessa empreitada de ser DJ profissional:

Argumente, muito.

A figura do DJ está em praticamente todo o lugar. Em revistas especializadas, jornais, TVs, internet. Use isso a seu favor e mostre que a maioria das pessoas hoje aceitam isso como a profissão que ela é de fato. 

Mostre que existe uma formação para ser DJ profissional.

Aqui, é bem provável que você desfaça qualquer posição contrária. Ao perceber que é necessária uma qualificação, a maior parte dos argumentos se desmonta. Agende uma visita a uma escola e leve seus pais – é bem possível que eles se impressionem e mudem de ideia. 

Leve dados de mercado com você.

O mercado de música eletrônica e entretenimento é um dos que mais cresce no mundo hoje. Aqui, no Brasil, continua crescendo, mesmo com a crise – só no ano passado, ele movimentou mais de três bilhões de Reais, e desse total, quase 400 milhões foram pagos em cachês. Não é uma quantia que dá pra ignorar. Se o argumento da sua família é que você não vai ganhar o suficiente para se manter, isso deve ser o suficiente para que eles mudem de ideia.

Mostre que ser DJ não é só festa.

Embora seja essa a imagem que aparece o tempo todo, a profissão exige muita preparação e estudo, e o cara no palco com as mãos pra cima é só a pontinha do iceberg que é trabalhar com discotecagem. Já falamos sobre isso aqui. Mostre como funciona todo o processo para que eles entendam o volume de trabalho envolvido.

Peça ajuda.

Se você tem algum amigo ou parente que já trabalha no ramo, ou conhece algum músico ou DJ profissional, peça para que eles conversem com sua família e mostrem como funciona a profissão e o mercado. Um depoimento pessoal pode ser de grande ajuda para desfazer os mitos da profissão e convencer seus pais.

Por fim, nunca desista do seu sonho! Ele é grande demais para ser esquecido! 😉

 

Parece improvável, mas ainda existe um certo equívoco no que diz respeito ao trabalho de um DJ profissional. Esse post pretende esclarecer cinco deveres essenciais de um DJ e o que ele deve (ou deveria) fazer na cabine. 

1. Conhecer o público e tocar para ele 

Em primeiro lugar, um DJ profissional cria um conjunto de músicas para um público específico. E, em algumas vezes, durante 5, 6 horas. Convenhamos, é muito tempo para ficar apenas fingido, não? 

Mas não é só isso. Cada público é único. Um DJ não pode simplesmente tocar as mesmas músicas, na mesma ordem, toda vez. O DJ recebe novos frequentadores em um clube a cada noite ou a cada evento. Cada tipo de evento tem sua própria vibe e atmosfera. Portanto, um DJ profissional tem a obrigação de ler o seu público e selecionar seu repertório em conformidade. 

Sempre que um DJ escolhe a música errada, ele tem uma reação do público a partir disso. É inevitável e, por isso mesmo, um set pré-gravado, na maioria das vezes, não irá funcionar. Quando um DJ toca uma música, ele tem apenas dois minutos para olhar em volta, observar a reação da sua audiência e escolher a próxima faixa. Não soa fácil, não é? 

2. Conhecer a história da música é coisa de DJ profissional 

Um DJ profissional deve conhecer a história da música que ele toca. Gênero, artistas, épocas. Deve entender a estrutura geral da música – tonalidade, BPM (batidas por minuto), letras (para evitar letras inadequadas para um público específico), e saber tocar para variados tipos de pista. 

3. Manter harmonia e ritmo 

Tem mais: ser um DJ profissional precisa de responsabilidade técnica também. Ele tem que manter a harmonia musical e rítmica do seu set para que as pessoas possam apreciá-lo. Um bom DJ, ainda, tem que fazer transições profissionais, suaves, ao mixar as faixas do seu set. Se o DJ erra nisso, o público percebe, isso altera a vibe da festa e as pessoas vão olhar feio para ele. Tem que saber a hora certa de tocar os hits – um DJ que toca todos os hits logo de cara drena a energia do público e esgota rapidamente o evento em que está tocando. 

4. Manter bons níveis de volume do som 

Além disso, o DJ profissional tem que manter os níveis de som no volume certo, claro e sem distorções. Tem que entender de acústica e conhecer os equipamentos que vai usar, os pontos fortes e fracos deles para ajustar a equalização de forma adequada para o espaço e a quantidade de pessoas para quem ele vai tocar. Precisa saber o que fazer se o som não sai, que tipo de cabos usar, requisitos elétricos para a aparelhagem, como usar um mixer, caixas de som, microfones, controladoras, softwares de mixagem, efeitos etc. 

5. Planejamento 

E tudo isso sintetiza uma etapa importante do que um DJ profissional realmente faz: planejamento. Colocar as suas atividades na ordem correta é fundamental e envolve contar a história do evento – ou seja, tem começo, meio e fim, com picos e vales de energia e emoção durante todo o processo. 

E as pessoas nunca saberão o quanto é difícil ser um DJ profissional até que se tornem um. E se tornar um DJ, definitivamente, não é apenas sorrir e botar as mãos para cima. 

 

 

 

 

 

 

Não é segredo que hoje o mercado dá preferência a DJs que também sejam produtores. Isso gera uma dúvida bastante comum entre pessoas que querem começar a aprender e ingressar no universo da música eletrônica e então vem a pergunta: com que curso começar? Curso de DJ ou Produção de Música Eletrônica? 

É ótimo que você queira seguir carreira na música, mas antes é necessário entender as diferenças entre um produtor e um DJ. Vamos lá?

DJ

Um DJ é um profissional que toca música produzida por outras pessoas, apesar de que ele pode (e deve) incluir seus próprios remixes e edits nos seus sets. Isso demanda um certo conhecimento de produção, mas não necessariamente todo o processo. Basicamente, o DJ é contratado para uma apresentação ao vivo, em que deve mixar uma seleção de músicas escolhidas por ele para uma audiência específica. Em um curso de DJ você irá aprender técnicas para poder executar essas tarefas e, claro, agitar as pistas. Veja também o que aprendi me tornando DJ Profissional.

 

Produção Musical

Já o Produtor é o profissional que domina todo o processo para criar as suas próprias músicas, e a de outras pessoas também. Possui um conhecimento técnico mais aprofundado sobre teoria musical, softwares de produção e instrumentos. Um produtor trabalha principalmente em estúdio, embora possa fazer apresentações ao vivo também. Além disso, um bom profissional pode ser requisitado para outras funções – compor trilhas sonoras para peças de teatro, filmes e jogos, por exemplo. Resumindo, a produção é um ramo mais abrangente dentro do mercado de música eletrônica.

E aí, por onde começar: curso de DJ ou Produção de Música Eltetrônica?

A essa altura, você já deve ter percebido que embora existam semelhanças, as profissões são diferentes entre si – e uma demanda mais tempo de dedicação e estudo que outra para que funcione. Como são áreas distintas do mesmo ramo, os dois cursos são complementares, mas não substituem um ao outro. Aqui, fica mais claro também por onde começar.

Nossa sugestão é que você comece pelo curso de DJ , ele serve como uma espécie de introdução ao tema e abre o mercado para você. Ao mesmo tempo, você pode adquirir habilidades que vão te levar ao próximo passo – a produção.

Ter o domínio do processo de produção de música é uma das exigências do mundo da discotecagem hoje. DJs que apenas tocam são menos valorizados do que aqueles que produzem suas próprias tracks. Assim, o curso de produção é uma especialização, uma espécie de pós-graduação. Ser produtor aumenta consideravelmente o seu espaço no mercado.

Existe ainda um outro aspecto a ser considerado. Muitas pessoas fazem o curso de DJ sem a intenção inicial de se tornarem grandes profissionais do ramo. Estudam porque amam música eletrônica, querem entender o funcionamento, mas tocam por uma questão de satisfação pessoal, e só mais tarde percebem o quanto a profissão é apaixonante e resolvem continuar na carreira. Mais uma vez, começar pelo curso de DJ é uma boa maneira de você testar o mercado antes de decidir se quer dar continuidade ou não. Dessa forma, você faz escolhas mais inteligentes e otimiza o seu tempo e dinheiro. Nosso palpite: depois de começar, você não vai querer parar mais! Saiba também como começar sua carreia de DJ ou Produtor Musical. 

Se preferir, agende uma visita à Yellow e tire suas dúvidas pessoalmente.

 

Todo mundo que sonha em ter uma carreira de DJ e/ou Produtor de música eletrônica passa pela mesma situação: como tornar a carreira sustentável a ponto dela ser a sua principal fonte de renda?
Durante a fase de transição do seu trabalho atual para a sua nova profissão, você precisa pensar em alternativas que mantenham os seus boletos em dia. Acredite: todo grande artista começou de algum lugar que não é aquele em que ele está hoje!

O segredo para que isso aconteça é: você tem que se manter enquanto a carreira não decola. Sem grana, talvez você não consiga manter o foco. E pra que você capitalize nessa fase de transição e vá fazer aquilo que você sempre sonhou, a gente separou umas dicas. Isso vai te dar fôlego para que você faça exatamente o que você quer: ser um DJ/Produtor. Vamos lá?

Tenha um emprego de dia que te permita tocar à noite

“Chefe, eu vou tocar hoje. Se quiser aparecer, tá convidada!”

Parece óbvio, mas esse é o caminho mais natural a ser seguido, ao menos no começo. Muitos dos DJs que você conhece tinham outra profissão, e acabaram migrando para suas carreiras artísticas com o tempo.
O importante aqui é conseguir um trabalho que te permita conciliar o trabalho noturno. Você pode, por exemplo, trabalhar em uma área correlata à música, como social media, design ou qualquer outro ramo cujas habilidades você possa transferir para a sua carreira de DJ, como programar seu próprio site, gerenciar suas mídias digitais, fazer as suas artes e logo, etc. E que, de preferência, te coloque em contato com pessoas que pensem como você. É bem provável que nesse processo você encontre mais gente que está ou já esteve na mesma situação, e isso é ótimo para compartilhar experiências.

Crie fluxos de renda alternativos

Uma boa maneira de se capitalizar para dar o pontapé inicial na sua carreira de DJ é buscar alternativas de renda. Se você tem muitos amigos que apoiam o seu trabalho, por exemplo, você pode abrir um crowdfunding como o Vakinha ou o Kickstarter. Tenha em mente que você terá que oferecer algo em troca, como um podcast, ou set exclusivo, um remix ou track de sua autoria. Pense em algo que o seu público e/ou amigos estariam dispostos a pagar mensalmente. Esses micro-fluxos de renda podem ser uma mão na roda para te ajudar a comprar equipamentos ou financiar uma sessão de fotos, por exemplo.
Tente criar tantos desses micro-fluxos quanto você conseguir, sem comprometer a qualidade e a entrega do seu trabalho. Essa é uma maneira legal de manter uma renda ao mesmo tempo em que você está divulgando a sua música para as pessoas. Se você conseguir conectar isso ao seu trabalho como DJ, melhor ainda.

Crie, organize e monetize playlists do Spotify

Se fizer direitinho, dá pra ganhar uma grana legal com playlists de empresas

Listas de reprodução e curadoria de músicas em sites de streaming bombaram nos últimos anos, com milhares de artistas sendo descobertos e lançando carreiras no Spotify e na Apple Music.

Já que você ama música (é por isso que você quer ser um DJ, certo?), essa é uma excelente maneira de ganhar dinheiro. Playlists não são um amontoado de músicas organizadas de qualquer jeito – uma lista bem montada tem identidade musical e imagem próprias e leva algum tempo e esforço de pesquisa, principalmente se forem feitas sob encomenda.

Você pode compartilhá-las em suas páginas de mídia social e incentivar as pessoas a apoiá-lo, indicando suas páginas de crowdfunding (entendeu agora a importância delas?).

Também é possível criar playlist para lojas, eventos sociais ou corporativos, marcas. Eu já ganhei uma grana legal fazendo playlist para uma rede de cervejarias, por exemplo. É uma boa fonte de renda passiva, enquanto você faz algo que ama.

Pense fora da caixa para conseguir mais apresentações

Já pensou em tocar em uma feira? O Richie Hawtin já: 

Enquanto você não tem um número significativo de seguidores ou estiver bem no começo da sua carreira de DJ, é provável que você não consiga tocar logo de cara em grandes clubes (dica: as peneiras Yellow podem ser um atalho 😉).

A boa notícia é que existem muitos, muitos lugares que precisam de boa música. Bares, pubs, restaurantes, lojas, shoppings, co-workings, até mesmo barbearias. Outra boa ideia é organizar pequenos eventos para os amigos, em que você leva os equipamentos e arrecada verba para suas despesas.

Também considere as suas possibilidades. É claro que o ideal nunca será você se apresentar de graça, mas leve em conta se o local onde você vai tocar te dá acesso real ao público que você quer atingir. Em algumas ocasiões bastante específicas, esse pode ser um bom investimento.

Para se tornar conhecido a ponto de poder viver apenas das suas apresentações, você precisa se colocar no mercado. Hoje, isso significa que você tem que criar um conteúdo online que atraia as pessoas, seja uma música, um blog, um vlog ou qualquer outro trabalho que possa ser facilmente compartilhado pela internet.

Até mesmo grandes artistas fazem isso. É só ver a quantidade de posts no Instagram Stories essas pessoas postam. E a razão disso é que é assim que eles capturam a atenção dos fãs. É uma “economia de atenção”. Cada segundo que você consegue atrair para si é válido.

E a melhor maneira de fazer isso é trabalhar de forma consistente e criativa o seu trabalho como DJ ou produtor. A melhor parte: existem várias maneiras legais de se fazer isso, como por exemplo:

Comece um podcast ou videocast, isso fará parte da sua carreira da sua carreira de DJ

“Oi, eu sou o Fulano e hoje tô aqui no show do Daft Punk!”

Existem várias plataformas online em que você pode publicar o seu trabalho – as mais famosas são o Soundcloud e o Mixcloud, mas há boas alternativas como o Mixlr, onde você pode fazer um podcast ao vivo, e o Twitch, que embora seja uma plataforma de transmissão de vídeo ao vivo voltada para gamers, está cada vez mais aberta a todo tipo de conteúdo ao vivo. Você pode fazer vídeos ao vivo no Facebook ou mesmo no YouTube. As opções são inúmeras, basta você achar a que funciona melhor pra você.

Crie sua própria música

Essa é sem dúvida uma das melhores maneiras de você firmar seu nome no universo da música eletrônica. Todos os maiores DJs do mundo são produtores, e essa é provavelmente uma das maiores razões das pessoas conhecerem seu trabalho. Os DJs de hoje são reconhecidos pelo conteúdo que eles publicam, ou seja: a sua música.

Além de criar sua música, você ainda pode fazer remixes, edits e (embora bem menos), mashups. É uma boa maneira de fazer com que as pessoas associem seu nome a outros nomes já conhecidos.

Foque no conteúdo mobile

Uma das ferramentas mais poderosas que existem para criação de conteúdo está no seu bolso: seu smartphone. Você não precisa mudar a sua vida para aparecer nas redes sociais, pelo contrário – quanto mais verdadeiro seu conteúdo for, melhor – mas é importante manter uma atividade consistente nelas, postando e interagindo regularmente.

Procure se envolver com usuários que seguem e compartilham os mesmos interesses que você. Criar conteúdo que seja divertido e útil para essas pessoas é um jeito sensacional de se aproximar delas – e construir o seu público.

Blogs são uma excelente ferramenta

Não tem coisa melhor que blog pra apresentar ideias e conhecimento

Blogar é outra ótima maneira de construir credibilidade e divulgar seu nome. Você pode escrever artigos sobre DJs e música eletrônica usando sites como Medium, ou tente fazer um post como convidado no blog do seu DJ favorito. Só não esqueça de checar as informações sempre, e cuidado com os erros de português.

Finalizando

Discotecagem e produção musical são arte. Se você quer viver de forma sustentável como DJ, precisa pensar nisso como uma empresa – isso permite cobrir seus custos de vida, o que significa que você pode se concentrar mais em tocar, em vez de se preocupar com o aluguel do próximo mês. Ter vários micro-fluxos de renda podem lhe dar um complemento financeiro que lhe permite ser criativo; ganhar dinheiro permite que você faça mais arte. É assim que você sobrevive, e depois prospera, como DJ/produtor.
Muita gente consegue viver tocando três vezes por semana, produzindo música, tocando em festas particulares, fazendo seus próprios shows e criando playlists para eventos de empresas e marcas. Todas são ótimas maneiras de divulgar seu nome, mantendo suas habilidades afiadas e, claro, mantendo seus boletos em dia.
O truque é você identificar e atuar nos pontos em que sua música se encaixa, e usar todas essas possibilidades para estabelecer a sua carreira.

O que você faz para obter reconhecimento profissional?

Para quem está começando no mundo da discotecagem, algumas coisas relativamente simples, como pesquisar novas músicas, organizar sua coleção de música digital e até mesmo saber se aquele track incrível que você baixou está com qualidade suficiente pode parecer complicado. Então, resolvemos separar essas 3 dicas que são fundamentais para DJs iniciantes. Bora?

Hora de botar o fone e prestar atenção! 😉

 

Como descobrir novos tracks

Você está em uma festa, o DJ toca uma música incrível, que você nunca ouviu antes. Em uma época em que todos querem faixas novas e emocionantes, como descobrir o que está tocando sem ser inconveniente?

O ato de esconder faixas é altamente controverso na cena do DJ, e existe desde o começo da discotecagem moderna. No livro “Last Night A DJ Saved My Life”, Bill Brewster e Frank Brougbton relatam as primeiras tentativas de esconder os nomes das tracks, graças ao aumento da concorrência entre DJs.

A  verdade é que hoje não há motivo para que isso aconteça – embora o Shazam seja um dos principais “culpados” pelo fim desse ciclo, também é real o fato de que isso só demonstra certa falta de maturidade de alguns DJs iniciantes. A não ser que o remix ou edit seja seu, ou a faixa seja de sua autoria, não compartilhá-la é basicamente um problema de ego. Pensando melhor, nem isso justifica. Então saiba o que você pode e não pode fazer para descobrir qual música o DJ estava tocando.

 

Dando uma olhada na cabine do DJ

Definitivamente, não. Todo DJ já experimentou a sensação de ter alguém se aproximando demais da cabine para tentar ver qual música está tocando. Pode até ser uma maneira de descobrir o nome da track, mas nenhum DJ quer um estranho chegando perto o suficiente do equipamento a ponto de poder derramar bebida ou mesmo desligar algo. A única exceção é se você conhece pessoalmente o DJ e sabe que ele não se importará se você der uma olhada. Mesmo assim, ainda é mais fácil se você…

 

Perguntar ao DJ

Se você de fato não consegue ficar sem saber que música é aquela (e o Shazam não achou), educadamente peça licença, e pergunte para o DJ que track é aquela. Seja sincero quanto ao fato de ter gostado da música e peça o nome – algo como “Parabéns pela escolha, essa track é realmente muito boa, adorei! De quem é?” Se o DJ fizer questão de esconder a faixa, ao menos você talvez consiga o nome do artista ou do selo, o que já é meio caminho andado. Elogiar a música ou o set faz com que o DJ não ache que você está ali só para ficar “pescando” tracks e está de fato curtindo o som.

Outra boa maneira de fazer isso é perguntar para o DJ em uma rede social, tipo “Ótimo set ontem, fulano! Que faixa era aquela com vocais femininos e a letra tal?” Alguns irão te responder, outros não – mas é uma possibilidade.

Tem algo bem importante aqui: Não faça isso com frequência. Se for pessoalmente, não pergunte mais do que uma única vez na noite, e não fique enchendo a timeline de ninguém com pedidos de nomes de música.

O Kuvo é um jeito legal e pouco explorado de conhecer novas músicas

Shazam, Kuvo e 1001 Tracklists

Se você não foi abduzido por alienígenas e passou os últimos anos fora da Terra, você já sabe o que é e como funciona o Shazam. No entanto, ele nem sempre acha o que o DJ está tocando. Nesse momento, vale buscar as alternativas.

O Kuvo é uma plataforma online da Pioneer que dá em tempo real as playlists dos DJs cadastrados, transmitindo os nomes via wifi para o seu perfil – isso se o DJ permitir e se o club tiver o equipamento que faz a transmissão – no Brasil ele é praticamente inexistente. Mas, existem DJs que não se incomodam de compartillhar suas playlists na plataforma.

A outra opção é o site 1001 Tracklists, uma plataforma colaborativa onde os participantes ajudam a identificar cada track que um DJ tocou em um determinado evento. É uma grande fonte de boas tracks novas – e você pode ajudar também.

 

Ouvir sets parecidos

Essa dica é bem válida para os DJs Iniciantes. Se você ouve artistas que tocam com bastante frequência. Em geral, seus sets já estão disponíveis em plataformas como o Soundcloud por exemplo, ou são modificados aos poucos, o que aumenta as chances de você achar aquela track que te tira o sono.

 

Ouvir sets dos artistas favoritos também ajuda

 

 

Como organizar sua coleção de MP3 rapidamente

É impossível negar que o MP3 e quase todos os outros formatos de áudio digital trouxeram uma enorme conveniência para os DJs – enfim, não é mais necessário carregar cases enormes de vinil ou CDs, e um dispositivo pequeno como um HD externo ou um pen drive são capazes de suportar uma coleção de tracks para uma vida toda de discotecagem.

Por ironia, é justamente essa conveniência que traz um outro problema bem conhecido dos DJs que tocam com MP3: a organização da sua coleção digital. Que atire o primeiro HD aquele que nunca deixou uma pasta no desktop acumulando faixas até que tudo vire um amontoado de músicas sem sentido.

Quantas vezes você já achou tracks perdidas, que você nem lembra mais porque comprou? Ou melhor: quantas vezes você encontrou várias cópias do mesmo MP3 em pastas diferentes no seu computador? Então, amigo DJ, essa dica vem para te ajudar a manter a sua coleção de MP3 arrumadinha (ou quase).

 

Saiba desapegar

Nosso gosto como DJ muda com o tempo, e aquele MP3 que você achou incrível quando começou a tocar hoje pode não despertar mais a mesma paixão. Então vale a pena se perguntar: “eu ainda gosto mesmo dessa música”? Se a resposta imediata for não, apague sem pensar.

Ficou em dúvida? Veja quando foi a última vez que você ouviu a track, ou, se estiver usando o iTunes, veja a contagem de plays desse MP3. Isso vai te ajudar a decidir. O importante aqui é não se apegar demais, e você sempre pode armazenar isso em um HD externo – daqui a pouco falaremos mais sobre isso.

Dá até gosto quando tá tudo arrumadinho como no destaque da foto

Separe para depois organizar

Cada DJ tem a sua maneira de organizar seus MP3, e não existe um jeito certo ou melhor – a melhor maneira é aquela que funciona para você. Mas tem que haver alguma organização para que as coisas fiquem mais fáceis. Se você tem aquela pasta genérica entupida de tracks, a primeira coisa é separá-las. Não em gênero e subgênero, mas em coisas mais simples, como a função delas: uma pasta EVENTOS, por exemplo, para aquelas tracks que você não ouve, mas que são úteis de tempo em tempo. Você pode criar outras, como uma pasta TALVEZ para colocar os MP3 que você não decidiu ainda jogar fora, ou que não sabe se vai usar de imediato ou não – lembre-se, o foco aqui é deixar as coisas organizadas para agilizar na hora de tocar. Crie quantas dessas pastas você achar necessário.

 

Conseguiu? Ótimo, hora do próximo passo: o que fica no computador e o que vai para o HD externo, ou pro lixo.

 

Devagar e sempre

Mais importante que arrumar tudo de uma vez só, é arrumar. Então, mesmo que você só organize uma playlist de MP3 ou uma pasta por vez, o principal é manter o hábito. Como DJ, você tem que saber onde cada track se encontra, para poder achá-la rapidamente. Comprometa-se a organizar suas músicas de tempo em tempo. Se for o caso, guarde um horário da semana só para isso – você vai se agradecer depois. Deixe as pastas mais utilizadas no seu computador, e passe as outras para o seu HD externo. Quando precisar, é só puxá-las de volta para o computador.

 

Não seja um acumulador

Jogar fora música que você já não gosta ou ouve mais, ou que não servem a mais nenhum propósito não é uma coisa ruim. A ideia é manter o foco naquilo que realmente interessa – nas tracks que te representam como DJ, e na melhor seleção possível. Isso é uma maneira de você se manter conectado apenas com as músicas que você realmente ama, e evitar as distrações.

Por último, mas não menos importante, a resposta para aquela pergunta que todo iniciante faz: “Mas por que não posso ripar música do YouTube?”

As respostas são duas: porque é ilegal, e porque a qualidade fica BEM ruim. Nas duas hipóteses, a única coisa que você realmente consegue é queimar o seu filme como DJ. A gente explica melhor, acompanhe:

 

 

Descomplicando os formatos digitais de áudio

Desde que surgiram os softwares e controladores para DJs, existe a polêmica: afinal, existe mesmo diferença de qualidade entre arquivos digitais de música?

Embora para a maioria dos DJs profissionais esse assunto já esteja encerrado – ou, ao menos, deveria estar – a diferença entre os formatos e sua respectiva qualidade ainda é uma dúvida bastante comum entre alunos e DJs iniciantes. Então, sem muita firula, vamos explicar um pouco sobre as diferenças, e porque ripar música do YouTube definitivamente não é um jeito legal de se obter boas tracks.

MP3 à esquerda, PCM à direita: A faixa preta é o você perde na compressão

Arquivos sem e com perda de áudio

Um arquivo digital de áudio não é exatamente como uma gravação analógica – na verdade, ele é uma série de dados em linguagem binária – os zeros e uns que o computador entende – que são traduzidos em música por um software. Assim, como em qualquer tipo de arquivo digital, existe a possibilidade de se compactar para economizar espaço. É mais ou menos como você zipar um texto ou imagem para mandar para alguém.

Você já deve ter percebido que o principal fator para se compactar um arquivo de áudio é a economia de espaço. Um arquivo .WAV, por exemplo, ocupa mais ou menos 10Mb por minuto – então, uma lista de 10 tracks com 5 minutos cada pode ocupar facilmente 500Mb. Não é um espaço desprezível.

Mas alguns tipos de compactação podem remover algumas partes da informação – e a consequência óbvia é a perda de qualidade de som. Antes que você resolva jogar seu HD externo pela janela, saiba que alguns formatos de compactação mantêm todos os dados, e assim a qualidade do áudio permanece intacta. Os formatos mais comuns sem compactação são:

 

  • .WAV (Windows)
  • .AIFF (Mac OS)
  • .PCM (é o formato usado em CDs)

 

Depois, vêm os formatos chamados Lossless, que são comprimidos, mas sem perder as qualidades do formato sem compactação. Em geral, esses arquivos podem ser descompactados em um formato sem compressão, como os descritos acima. Da mesma forma, existem inúmeros tipos, mas quase sempre, você vai trabalhar com:

 

  • .FLAC
  • .ALAC (Apple Lossless)

 

Por fim, temos os arquivos do tipo Lossy, cuja compactação remove algumas partes da informação para diminuir o tamanho do arquivo, e isso também diminui a qualidade do áudio. E o formato mais popular de áudio digital é Lossysim, MP3, estamos falando de você. Mas calma, o AAC, da Apple, também faz parte da lista.

E a polêmica em torno dos arquivos digitais Lossy gira em torno de uma palavrinha complicada: o bitrate. Em áudio, bitrate éa quantidade de informação digital (os zeros e uns) armazenada em uma determinada quantidade de tempo. Ele depende de uma série de fatores, como o tipo de compressão utilizado ou a taxa de amostragem da compressão. Simplificando, quanto menor o bitrate (o famoso KBPS), menor o tamanho do arquivo, e por consequência, menor a qualidade do áudio.

Para que você entenda melhor, o MP3 é um codec de áudio que compacta o arquivo removendo os picos altos e baixos de todas as frequências. Assim, um arquivo em 192 KBPS pode soar super bem no som do seu carro ou no seu MP3 player, mas é só. No entanto, uma track em 320 KBPS já possui uma qualidade bem próxima à de arquivos Lossless. Por isso, se adotou esse bitrate como padrão para discotecagem.

 

A versão digital da briga Vinil X CD

Esse é o tipo de discussão que não leva a lugar nenhum, portanto não vamos nos estender no assunto – há quem defenda que os formatos sem compactação soam melhor em um equipamento de som profissional, enquanto outros afirmam que não há diferença perceptível para o ouvido humano entre um MP3 em 320 KBPS e um arquivo FLAC ou WAV. Como na briga entre vinil e CD, isso é pessoal e não existe um consenso.

 

Reencodamento: a falsificação da qualidade do áudio

 Você já deve ter visto por aí banners ou imagens na internet que ficam granuladas ou distorcidas, como se tivessem sido esticadas. Isso normalmente aparece quando a imagem tem uma resolução baixa, que não permite a edição. O resultado dificilmente fica bom.

Com áudio digital é a mesma coisa. Uma vez que você conseguiu um arquivo em 192 KBPS, reencodá-lo para 320 pode não só não surtir efeito nenhum, mas piorar a qualidade do áudio. Esse também é o motivo de arquivos de áudio ripados de rádios online ou do YouTube serem tão ruins – em geral, eles são codificados a 128 KBPS. Uma boa maneira de verificar se um MP3 tem mesmo 320 KBPS é pelo seu tamanho – se a track tem 5 minutos, mas o arquivo tem 4 ou 5 Mb, certamente é furada. Além disso, tenha em mente que ripar áudio do YouTube ou de sites é pirataria.

A qualidade do seu trabalho como DJ não se resume apenas à técnica ou repertório – isso vale também para a qualidade da música que você apresenta. Já que você investiu tempo e dinheiro fazendo um curso e em equipamentos, por que não fazer isso com sua discoteca digital também?

 

O que você faz para descobrir novas faixas, ou organizar melhor sua coleção de música digital?

É normal que a maioria das pessoas que pensam em se tornar produtores de música eletrônica não tenham uma ideia muito clara do que fazer. O que aprender primeiro, ou onde focar o seu tempo. Nessa fase, o maior desejo de quem quer aprender é algum tipo de projeto básico, um roteiro do que fazer para deixar de ser um iniciante e ser um verdadeiro produtor de música eletrônica. 

Se você é uma dessas pessoas, inevitavelmente você passará, está passando ou passou por uma das fases que vamos explicar agora. Aproveitando, explicamos um pouco do que fazer em cada uma delas para agilizar a sua curva de aprendizagem. Vamos lá?

 

 

  1. Escolha e aprendizagem da sua DAW

Uma das maiores dores de cabeça para quem quer se tornar produtor de música eletrônica é escolher sua Estação de Trabalho Digital (em inglês, Digital Audio Workstation, ou DAW – que é como vamos chamar os softwares de produção daqui em diante, para facilitar). Se você está nessa fase, já deve ter pesquisado ou ouvido falar dos mais populares, como Ableton Live, FL Studio, Cubase e Logic Pro.

A grande dúvida aqui é qual escolher. Leve esses pontos em consideração:

 

– Esqueça essa de “melhor DAW”. Tudo se resume a preferência pessoal. Todos os DAWs no mercado podem te entregar um bom resultado final.

– Ao invés de perder tempo com isso, ache o melhor para você, ou seja: aquele em que você não vai perder tempo demais para aprender a usar, e usar o tempo economizado para aprender mais sobre produção.

– Lembre-se de que você sempre pode mudar de DAW se não estiver confortável com o escolheu primeiro ou sentir necessidade de mudança.

Se você não pesquisou, e não faz a mínima ideia de por onde começar, pense nisso:

 

– O que os seus amigos usam?

Se você tem amigos que já produzem, talvez seja uma boa ideia escolher o mesmo DAW que eles – assim, você pode dividir experiências e aprender junto com eles.

 

– Determine um orçamento

Todas as DAWs valem uma boa grana, e você terá que investir nisso também. Mas a faixa de preço costuma variar. Se seu orçamento está apertado, a maioria das DAWs tem versões Light, que embora possuam menos recursos, são o suficiente para que você comece a produzir.

 

– Tenha em mente a utilização da sua DAW

Vai tocar ao vivo? Talvez o Ableton seja a escolha adequada para você. Quer fazer trabalhos complexos, e usar o padrão da indústria? Pro Tools é uma boa escolha. Então, considere o que você pretende fazer e procure a ferramenta que mais se encaixa nas suas pretensões.

O melhor conselho que podemos dar aqui é: escolha um e comece a usar. Se você levar mais do que um dia para escolher, você está perdendo o foco. Ableton Live e FL Studio têm versões de teste gratuitas – é uma boa maneira de começar antes de investir. Mais uma vez, não perca tempo demais nisso – você vai nos agradecer depois.

 

Preciso de mais algum equipamento?

Existem duas respostas para essa pergunta – a comum e a verdadeira. A verdadeira é que se se você tem um computador e um par de fones ou caixas de computador, não, não precisa. Dá para começar assim mesmo. A comum é que você precisa de no mínimo um par de fones decente e talvez um controlador MIDI. Na maioria das vezes, o melhor investimento que você pode fazer depois de escolher a DAW é mesmo comprar um bom par de fones, mas não dependa disso para aprender a produzir, ou você estará arrumando desculpas para não fazer.

 

  1. Aprender a usar sua DAW

Depois de baixar sua DAW, você ficará tentado a começar imediatamente a criar uma música.

Mas é quase certo que essa atitude irá gerar confusão, frustração, e mais perigoso, fazer você acreditar que se tornar um produtor de música eletrônica é difícil e não é para você. Sua prioridade depois de escolher a sua DAW é aprender a usá-la! As duas melhores maneiras de se fazer isso são um curso de produção de música eletrônica e a leitura do manual da DAW.

Depois de se familiarizar com a sua DAW, a próxima fase é a da experimentação. O único objetivo aqui é se divertir e adquirir experiência. Aprenda como criar uma linha de kicks, tente recriar uma melodia que você conhece. Depois, tente criar uma faixa completa – isso é essencial para que você adquira o hábito de terminar a música, mesmo que para você ela não esteja suficientemente boa. Caso contrário, você pode não ser capaz de terminá-la mais tarde. Ao menos no começo, resista à ideia de sair mostrando para todo mundo suas produções. Não que haja algum mal nisso, mas acredite, é uma distração que vai tirar seu foco.

 

  1. Aprofundamento da aprendizagem

Essa é a fase em que você começará a se tornar um produtor de música eletrônica de verdade. É uma das fases que leva mais tempo também, mas isso varia de pessoa para pessoa. Nessa fase, você aprende os fundamentos da produção: teoria musical, estrutura, arranjo, mixagem. Como acabamos de dizer, são fundamentos, então não tem como pular essa fase. Não quer dizer que ela não seja divertida, pelo contrário – você ficará empolgado quando perceber suas habilidades melhorando a cada dia. Mais uma vez, um bom curso de produção ajuda muito nessa fase.

No entanto, essa fase esconde uma armadilha bastante comum: a armadilha do perfeccionismo, ou armadilha da obra-prima. Ter uma atitude perfeccionista não só inibe o aprendizado como destrói a sua autoestima. Em vez disso, se habitue a criar um grande volume de trabalho, e termine do jeito que você pode ou consegue. Foque em fazer um bom acabamento, mas não se afobe – mesmo com um um crescimento rápido do seu conhecimento, se cobrar demais não vai fazer o seu trabalho melhorar. Nessa fase, quantidade vale mais que qualidade. Sem pressão, você irá aprender muito mais rápido.

Foque no que te motiva e nos seus objetivos, seja consistente e paciente, e os resultados virão.

Existem muitas outras fases pelas quais um produtor iniciante de música eletrônica passa, mas optamos por falar sobre esses por acharmos que são mais relevantes.

Agora que você já tem uma ideia melhor de como a produção de música eletrônica funciona, dá uma olhada nessas técnicas e dicas que separamos pra você – temos certeza que algumas (se não todas!) serão bem úteis.

 

Técnicas de produção musical eletrônica que você não deve ignorar

Produção musical é um trabalho duro. E mesmo quando é uma rotina diária, é fácil esquecer técnicas e elementos importantes que podem fazer a diferença na sua track. A produção é uma coisa tão complexa que é quase impossível manter o controle de absolutamente tudo ao se fazer uma faixa. É por isso que ter amigos por perto para dar opiniões honestas, ou até mesmo testar sua track em tantos aparelhos quanto possível, ajuda a encontrar falhas que passaram batido nas primeiras sessões de gravação.

Aqui estão algumas dicas importantes que você deve ter em mente na próxima vez em que você for produzir. Vamos ao que interessa:

Não dependa de loops de percussão

Loops e samples sempre são uma boa ideia em produção. No entanto, você vai gastar bastante tempo testando loops que se encaixem com o que você já produziu. O ideal é você criar o hábito de gravar seus loops de percussão ou bateria. Assim, você dá à percussão o mesmo groove do resto da track e fica livre para criar outros ritmos. Por falar em ritmo, uma dica adicional: não deixe o seu kick todo com a mesma velocidade – ele vai ficar reto demais, e sem vida. Faça uma pequena variação de velocidade e tom para trazer o groove à sua track!

Aprenda ouvindo as tracks dos seus produtores favoritos

Um produtor iniciante tem muito a aprender, e um dos aspectos mais negligenciados entre os novatos é o arranjo. Infelizmente, há uma espécie de padronização da música feita hoje – e entender os diferentes tipos de arranjo podem te ajudar a fugir do óbvio. Por exemplo, a estrutura mais comum da dance music é uma batida 4/4 disposta em intro>refrão>verso>refrão>ponte>refrão>outro. Esse tipo de arranjo é uma espécie de rascunho para produtores e a melhor maneira de aprender a variar essa estrutura é ouvindo tracks de artistas que são uma referência para você. Uma boa técnica de aprendizado é você jogar essa track de referência no seu DAW, cortá-la nomeando cada seção corretamente, e depois improvisando entre cada seção.

Espaçamento, tensão e soltura

Toda boa produção brinca com o espaçamento – seja entre as notas, instrumentos, efeitos ou até mesmo entre as seções da track. Uma boa ideia é se livrar do que é exagerado ou desnecessário na faixa, ou adicionar espaços de meio ou um segundo entre algumas seções – isso dá um efeito de tensão e soltura bastante interessante.

Faça uma melodia grudenta

A melodia é um dos aspectos que costumam definir uma boa produção. Uma melodia grudenta tem duas características: é repetitiva (o que prende a atenção do ouvinte) e variada (mantém o ouvinte interessado). Melodias simples demais podem não ser exatamente agradáveis para se ouvir no dia a dia, mas em uma pista isso não é um problema.

Humanize os sons

A vivacidade de uma track vem do toque humano no ritmo e no groove – e isso nem sempre pode ser replicado naturalmente por um DAW. Mas existem algumas maneiras de deixar o som mais orgânico:

 

  • Usar loops de percussão (de preferência gravados por você mesmo) podem dar ritmo a um loop reto e plano demais;
  • Você pode humanizar as melodias tocando as notas quase na batida. Grave várias vezes, e depois escolha a versão que soa mais natural, ao mesmo tempo em que se encaixa com o resto da track.

Há uma série de coisas para serem lembradas durante uma produção – muito mais do que listamos aqui. No começo, é bem provável que você não pegará tudo, mas com o tempo você vai identificar as lacunas e saberá como preenchê-las.

Mas calma, que a gente separou mais umas pra você – vem junto!

 

Dicas rápidas para produção de música eletrônica

Sem firulas, esta é uma lista com várias dicas rápidas, para você lembrar e usar sempre que precisar. Vamos lá?

 

  1. Confie no seu gosto. Não se subestime. Aliás, porque você faria isso?

 

  1. Não critique música pop só por ego. Na realidade, você pode aprender algo com ela. E é sábio aprender com música que milhões de pessoas ouvem.

 

  1. Usar loops não te torna um fake. O que interessa é o resultado final. Olhe para a indústria de jogos, por exemplo – quantos desenvolvedores usam Unity? Ou Unreal? O que interessa é o jogo – ou a música.

 

  1. A mesma coisa para samples.

 

  1. Arrume um bom par de fones ou monitores assim que puder. Resposta de frequência é importante. Graves são importantes. A gente fala disso de novo daqui a pouco.

 

  1. Mixagem não é um bicho de sete cabeças. Vá em frente e faça mixagens ruins. Com o tempo, você fará mixagens boas.

 

  1. Masterização não é um bicho de sete cabeças. Precisa repetir?

 

  1. Compre bons pacotes de samples assim que possível. Isso vai ajudar mais do que você imagina.

 

  1. Aceite músicas que você não entende ou não gosta. Em algum momento, você vai achar algo que gosta ali.

 

  1. Repetição é importante e manter as coisas simples é fundamental, mas não use isso como desculpa para deixar sua track pobre.

 

  1. Ninguém se importa até que você faça. Então, trabalhe nas suas produções e lance-as.

 

  1. O fato de que pode não haver mercado para as suas produções não pode te preocupar. Você se preocupa?

 

  1. Se você não gosta de ouvir sua música, você está fazendo algo errado.

 

  1. Comece a criar uma maneira confiável de se conectar com outras pessoas que gostam da sua música. Lista de e-mails é um bom começo.

 

  1. Grátis não precisa ser literalmente grátis. Dê as suas faixas com um propósito. Likes no Facebook, no Soundcloud, lista de e-mails…

 

  1. Pense sobre onde as pessoas vão ouvir sua música. E quem vai ouvir? Isso pode te ajudar na hora de produzir.

 

  1. Não resista à aprendizagem de teoria musical. Ela é um mapa. Você até pode navegar sem ela, mas conhecer acelera o processo.

 

  1. Não se compare a artistas profissionais. Principalmente no início.

 

  1. Mas foque na qualidade deles. De qualquer forma, não deixe que isso te impeça de fazer nada.

 

  1. Não importa que DAW você usa. Então não use isso como desculpa para não fazer. Dá para fazer música com software 100% free. Do mesmo jeito, pode ser que você use aquele sintetizador caríssimo que você comprou porque seu ídolo usa apenas uma vez ou duas.

 

  1. Aceite que as coisas acontecem no seu tempo. Bons artistas levaram tempo para que seu trabalho fosse reconhecido. Então foque no médio e longo prazo, não no sucesso da noite para o dia. Seu trabalho ficará mais sólido.

 

  1. Existem quatro níveis de equipamento de áudio:

 

  1. Barato
  2. Para o consumidor comum, mas bom o suficiente para uso profissional
  3. “Pro”, que é bem melhor que o número dois
  4. Caro

O número dois é o suficiente. Quando você estiver vivendo de música, aí sim pode pensar em investir mais.

 

Dica bônus: os melhores fones para produção musical

 Se você quer se tornar um produtor de música eletrônica, precisa ter em mente que, ao menos no início, não é necessário um grande investimento em equipamentos. Um bom computador, um DAW (falamos deles aqui) e uma fonte de monitoramento costumam ser o suficiente. Se estiver dentro das suas possibilidades, uma interface de áudio também é uma boa ideia.

E quando falamos de uma fonte de monitoramento, se quisermos pensar em baixo custo, inevitavelmente a escolha recai sobre os fones de ouvido. Você pode se perguntar porque um par de fones ao invés de um par de monitores (caixas), e os motivos são bastante simples:

– Em geral, um bom fone de ouvido para monitoramento sai mais barato que um par de bons monitores. Aliás, monitores normalmente são vendidos em unidades e não em pares – então, se você entrar em uma loja online, por exemplo, é quase certo que o preço que você vai encontrar é de uma caixa só.

– Também é quase certo que o local onde você vai começar a produzir não é acusticamente tratado. Nesse caso, um par de fones de ouvido vai te dar uma resposta mais precisa do que um par de caixas, por conta da reverberação do ambiente e e de ruídos externos.

É mais interessante para quem quer iniciar na produção de música eletrônica investir em um bom par de fones. Assim, você pode economizar para investir em educação musical, como um curso de produção musical, por exemplo. Existem vários modelos no mercado, e os preços costumam variar bastante, não só porque seus preços costumam ser em dólar, mas porque alguns não são fáceis de achar por aí. Separamos três fones que não custam nenhum absurdo e que valem o investimento. Confira:

 

Sennheiser HD-280 Pro

Difícil não lembrar da Sennheiser quando o assunto é monitoramento – há décadas os fones da fabricante alemã são referência no segmento. O HD-280 Pro é um fone bastante robusto, com uma qualidade de construção sólida e um excelente isolamento acústico, além de uma resposta de frequências bem plana, algo essencial em um fone para produção.

 

Sony MDR-7506

Assim como o Sennheiser, o Sony MDR-7506 é figurinha carimbada nos estúdios mundo afora, principalmente pela sua durabilidade. É largamente usado em diversos ambientes de monitoração, como estúdios e unidades móveis de TV e rádio. É o tipo de equipamento que, se bem cuidado, vai passar alguns anos com você.

 

Audio-Technica ATH-M50x

Pouco conhecida fora do meio profissional no Brasil, a fabricante japonesa se destaca pela qualidade e robustez dos seus produtos. O ATH-M50x é um dos fones de entrada da marca, mas que não deixa absolutamente nada a dever se comparado com os irmãos “maiores” da empresa.

 

Por fim, tenha em mente alguns aspectos antes de comprar um fone para produção musical:

– fones fechados possuem um melhor isolamento acústico que os semiabertos. Se você vai trabalhar em um ambiente ruidoso, prefira os fechados.

– ao contrário dos fones para DJs ou para uso diário, um bom fone para produção não deve “forçar” nenhuma frequência, ou seja: o som dele deve ser bem “plano”, sem que nenhuma das frequências se sobressaia.

E aí, curtiu? Esperamos que essas dicas sejam úteis para os seus primeiros passos na produção musical.

Quer aprender mais? 

Você, sem nem saber de produção musical, conhece bem a sensação de ouvir um track de música eletrônica bem produzida: cada um dos seus elementos parece transbordar energia e a música parece envolver toda a pista, dando a impressão de que ela é um organismo vivo.

Mas, para quem quer se tornar um produtor de música eletrônica, as coisas podem não ser tão fáceis quanto parecem, ao menos no começo. Parece que apenas saber a estrutura de uma música e agrupar os elementos, loops, synths e efeitos é o suficiente. O resultado é que o seu track acaba sem a energia e a dramaticidade que você esperava.

A boa notícia é que, com um pouco de estudo e informação, você pode facilmente se tornar um bom produtor.

 

Há uma série de truques que você pode usar para construir seus tracks e fazer com que elas pareçam vivas, com um poder próprio. Nenhuma das dicas a seguir é muito difícil de se implementar por conta própria, mas garantimos que um curso de produção de música eletrônica vai fazer com que você saiba onde e quando aplicá-las da melhor maneira possível. Assim, você trará o dinamismo e o senso de urgência que um bom track deve ter para o seu som. Boa leitura!

 

Seis dicas para quem está começando na Produção Musical

Se você está começando na produção de música eletrônica, é normal que passe batido por alguns pontos importantes no processo. Para dar aquela forcinha básica, separamos essas primeiras dicas para você. Vamos lá?

 

Bastam alguns poucos equipos e muita vontade, o resto vem com a prática

 

  1. Saiba mais sobre técnicas de compressão

Um erro comum, mas que impede amadores de obter um som “cheio”, e completo, é que quanto mais sons são unidos em uma track, mais aumentam as chances das frequências cliparem. Assim, você baixa cada canal, e tudo volta ao normal, certo? Não exatamente. Para corrigir isso, você precisa aprender sobre compressão e mixagem. Se usada corretamente, a compressão reduz as variações entre os níveis de ganho de um canal de áudio, o que permite que você aumente o volume geral da faixa sem cortes na sua produção musical.

 

  1. Reduza o ruído desnecessário com a EQ

Remover frequências abaixo de 30-40Hz em elementos da sua track é uma boa ideia. Além delas não acrescentarem nada à sua mix, ela vai ajudar a entupir ainda mais o track. Então, muito cuidado com as frequências – evite usar muitos sons graves juntos, por exemplo. As frequências vão se misturar e criar um som estranho. Aprenda a usar o analisador de espectro da sua DAW.

 

  1. Cuidado com os presets

Na produção musical, Presets são uma grande ajuda não só para quem está iniciando na produção de música eletrônica, mas para profissionais também. No entanto, muitos plug-ins VST são projetados para terem um excelente resultado se usados em separado, mas podem criar problemas quando usados em conjunto com outros plug-ins. A menos que você consiga identificar e corrigir as frequências conflitantes, usar muitos presets pode resultar em um som abafado.

 

  1. Não se afunde no Reverb

Um erro comum entre os novatos em produção é usar muito processamento nos efeitos. Embora isso possa produzir resultados criativos, seu uso excessivo pode acabar com o seu track. O Reverb é um efeito que é usado abusivamente por iniciantes. Você estará fazendo a coisa certa se baixar o Reverb até que não note mais sua presença, ou melhor ainda, quando mostrar o track para alguém e essa pessoa só notar a ausência do efeito quando você removê-lo, sem que ela tivesse percebido antes.

 

  1. Esteja ciente de que está usando demais o Limiter

Apesar do Limiter ser uma ferramenta valiosa, um novato quase sempre irá abusar do recurso – e a culpa disso é a exigência de faixas cada vez mais altas. No entanto, o excesso de Limiter deixa o som sem dinâmica, sem graves e agudos claros. Pode até ficar alto, mas vai soar muito pouco natural. Aprenda a alcançar um equilíbrio entre volume e faixa dinâmica.

 

  1. Não fique preso no loop

Loops se tornaram parte importante da produção de música eletrônica, e não há dúvida que algumas grandes faixas formam compostas dessa forma. No entanto, o uso excessivo do loop pode tornar uma faixa sem graça. Se você quer usar o mesmo sample várias vezes, aprenda a modificá-lo, para obter variações e manter o seu ouvinte interessado na música.

 

Curtiu as dicas? Então se liga nas próximas – elas são úteis tanto para amadores quanto para quem já produz há algum tempo. Bora lá!

 

Ser um profissa como o Hawtin leva tempo, mas não é impossível

 

Desligue o sync do Delay e do Reverb

Experimente desligar a sincronização de tempo do seu Delay e tente brincar com tempos maiores de Reverb antes do Delay. Programar esses efeitos manualmente pode trazer uma diferença de tempo sutil que é surpreendentemente eficaz para deixar o groove mais solto e dar um toque mais humano aos seus tracks.

 

Use loops de percussão com groove para soltar sua batida principal

Esse é um truque clássico e que sempre funciona. Loops de percussão randômicos transformam instantaneamente qualquer batida reta ou seca demais. Experimente vários loops de percussão diferentes, combine-os, recorte-os, enfim, brinque bastante com eles. Isso estimula a sua criatividade e faz com que várias ideias para novos tracks apareçam.

 

Sampleie grooves e padrões das suas tracks preferidas

Recorte as suas baterias preferidas e grooves e as use para criar seus próprios templates. Você pode fazer isso com o seu software de produção ou, ainda, alinhar o seu próprio MIDI em um canal “vizinho” ao sample, adicionando sua própria informação de velocidade, se necessário. Isso demanda um pouco mais de prática, já que você tem que saber exatamente onde começa cada toque dos instrumentos contidos no sample. Mas, assim que você pegar o jeito, isso se torna um processo mais simples.

 

Programe as partes de instrumentos sampleados como se estivessem sendo tocados de verdade

Instrumentos reais têm limitações que podem ser úteis para dar mais realismo aos seus samples programados. Para dar um exemplo básico, um baterista só tem dois pés e mãos, então, se ele está tocando um prato no começo de uma nova frase, ele provavelmente não vai tocar um chimbal, tom ou outra parte da percussão durante esse movimento. Incorporar essas sutilezas fazem uma diferença surpreendente na hora de dar um toque natural às suas programações, mesmo na música eletrônica, em que esse realismo não é exatamente necessário.

 

Use samples randômicos na sua produção musical 

Você pode configurar uma pequena quantidade de samples diferentes para serem selecionados de forma aleatória a cada vez que uma nota específica for acionada – por exemplo, 8 timbres ligeiramente diferentes de caixa. Isso evita que cada toque de caixa seja exatamente o mesmo a cada loop. Mesmo que pequenas, essas diferenças têm um profundo efeito sobre o resultado final, especialmente se você estiver programando baterias e preenchimentos.

A gente também quer ser o Detroit Swindle quando crescer. Foto: Red Bull

Deixe a preguiça de lado: faça variações dos seus loops

Só porque a percussão em uma música eletrônica é montada em loops, isso não significa que tem que ser o mesmo loop curto durante todo o track. Resista à tentação de criar um loop curto de 2 tempos e repeti-lo na música inteira. Ao invés disso, grave variações do loop usando o mesmo kit de bateria ou percussão. Cada versão que você gravar terá diferenças em relação ao tempo ou dinâmica, e isso traz a mesma sensação de música tocada “ao vivo” de uma bateria real.

 

Construa melodias através do contraponto

Ouça suas músicas preferidas e vai perceber como qualquer parte isolada dela é simples. Normalmente, a mágica acontece pela interação entre as partes e instrumentos. A soma de todas essas partes que interagem cria uma nova frase musical completa – isso é o contraponto. Ao invés de criar melodias complexas com um único instrumento, mantenha suas linhas de synth, baixo e bateria mais simples e “quebre-os” para expressar os diferentes elementos da frase musical através de vários instrumentos ou sons. Vai parecer mais fluído e envolvente.

 

Use a síncope rítmica para dar tensão aos seus beats

Síncope é para bateria e percussão mais ou menos a mesma coisa que o contraponto é para a parte melódica. Sempre planeje com cuidado a interação entre seus elementos rítmicos – ela é extremamente importante na produção de música eletrônica. Em um compasso 4/4, o interesse é gerado, normalmente, quando se cria uma dinâmica em torno do bumbo-caixa. Para dar mais vida às suas linhas de bateria, tente contrastar os outros elementos que estão em volta da batida principal. Atrasar ou adiantar em pequenos intervalos as batidas secundárias cria uma deliciosa sensação de tensão e urgência no seu track.

 

Use músicos para tocar sobre partes programadas

Isso é um truque bastante comum entre produtores de trilhas sonoras ou compositores de orquestra com um orçamento limitado. Eles usam bibliotecas de samples para grandes partes de orquestra, mas contratam alguns músicos para tocar em algumas partes. Você pode aplicar o mesmo método em suas produções também, adicionando uma camada de performance ao vivo em cima de uma frase ou um filtro automatizado manualmente em uma seção de synths ou pads muito “dura”.

 

Use elementos para antecipar a tensão no ouvinte

Criar uma estrutura e arranjo interessantes para uma plateia em uma track é como contar uma história: você precisa desenvolver uma narrativa em que os elementos tenham emoção suficiente, mas não a ponto de deixá-lo encurralado em sua própria música, sem espaço para deixar que a música progrida. Lembre-se de que você tem todo o espaço da sua produção musical para colocar as partes matadoras, efeitos e ganchos, então não amontoe tudo na primeira seção. Pense nas suas melhores partes da sua composição como uma moeda – gaste com sabedoria, apenas nos pontos do track em que você terá o máximo impacto sobre a sua audiência.

Menos é mais: regra de ouro na produção musical

Aprenda os efeitos psicoacústicos das frequências

Há uma interessante relação entre a percepção do nível de excitação em torno de uma parte específica de uma faixa e quantas ou quais faixas de frequência estão sendo preenchidas naquele momento. Por exemplo, pense no que acontece em uma pista quando se corta a bateria e sobra apenas um synth pesadão, subindo: as pessoas instintivamente param de dançar, e jogam as mãos para cima. Elas não pensam a respeito, mas sabem que é um break. Por outro lado, se você tira o synth e solta apenas uma bateria ou um groove de baixo, as pessoas tendem a dançar de novo. Pense em enfatizar – ou não enfatizar – alguns trechos específicos do seu track, usando as frequências.

 

Master alto, dinâmica baixa

Não tem porque haver alguma relação entre o nível em que um elemento é colocado no seu track e o nível em que esse elemento foi originalmente gravado. Por exemplo, você pode pegar um vocal gritado e colocá-lo na sua faixa em um volume baixo junto com os outros vocais – ele ainda vai soar como um grito, mas por estar mais baixo que os outros elementos, pode gerar profundidade e interesse no seu track. Da mesma forma, um sussurro aplicado bem alto na mix continua sendo um sussurro, mas muito mais intenso, devido ao volume com que foi aplicado. Essa técnica pode ser aplicada a qualquer instrumento e aumenta muito a tensão e a atmosfera de um track.

 

Ouça, ouça, ouça: analise e desconstrua suas músicas favoritas

Voltamos a dizer: não há absolutamente nenhum substituto para a experiência. Por isso, analise cuidadosamente os arranjos das suas track favoritas. Ouça o que os outros produtores têm feito e porquê aquilo funciona (ou não, se for o caso). Quanto mais você ouve, mais fácil fica de entender os detalhes que fazem a diferença. Vale tudo: puxar um MP3 da faixa para o seu software de produção e picá-lo, ou usar marcadores no começo de cada seção. Observe como os elementos aparecem em cada parte, e, eventualmente, você terá uma ideia de como o produtor daquela faixa pensou na construção dela. É mais ou menos como desmontar um motor e ver como as peças se encaixam.

 

Cruzamento de dados: ouça mais do que os seus gêneros preferidos

Os melhores produtores de música eletrônica são musicologistas. Eles não fazem distinção entre gêneros ou estilos, apenas dividem a música em boa ou ruim. Assim, olhe além do seu gênero preferido para se inspirar. Então, se você está fazendo produção musical eletrônica, bem reta, pode ser legal ouvir música clássica ou rock para entender as diferenças entre as estruturas de cada estilo e, assim, obter uma inspiração diferente. É interessante perceber, por exemplo, que no metal a música muitas vezes para, volta e para de novo, apenas para criar expectativa. Mantenha seus ouvintes surpresos e eles continuarão engajados na sua música. Há muito a ser aprendido na música clássica. É difícil especificar apenas um ponto que você pode aprender ouvindo música clássica, mas só o fato de você estar em contato com uma imensa gama de compositores pode trazer uma plenitude de ideias no que diz respeito a novas texturas e combinações instrumentais – sem contar a quantidade de samples que você pode obter daí.

 

Se uma parte não funciona, não perca tempo – jogue fora e vá adiante

Isso é muito mais difícil de fazer do que parece. Mas mantenha o seu ritmo e não tenha medo de jogar seu trabalho fora, até que só fiquem as partes realmente boas. A grande sacada aqui é se mover rapidamente entre as peças do seu trabalho. Essa agilidade mantém um frescor, mas ele pode se perder facilmente se você tentar fazer tudo perfeito demais. Apenas tenha a segurança de que cada parte do seu som tem o peso que você quer. Lembre-se, menos é mais.

Ficar uma semana ou um mês preso aqui é fácil. Desapegue e siga em frente

Mantenha o tempo certo

A maioria dos gêneros de música eletrônica tem tempos específicos, em que trabalham melhor – House entre 120 e 125 bpm, Dubstep em torno de 140, Drum & Bass em 170 ou 180 bpm. Se você quer produzir um tipo específico de música eletrônica, faz sentido saber quais os tempos desse estilo para que os DJs possam mixar o seu track com outras do mesmo tipo. Uma vez que você assimilou isso, você pode experimentar algumas variações de bpm dentro do limite do estilo. Assim, você irá descobrir o que se encaixa melhor com o seu track. Outra coisa legal sobre tempos musicais é que é cada vez mais aceitável brincar com eles em um determinado trecho da música, aumentando ou diminuindo o tempo antes de um refrão, por exemplo.

 

Comece pelo meio para uma produção mais “limpa”

Normalmente, as partes mais importantes de uma música são a introdução e o refrão. A introdução define o humor e o sentido da canção, enquanto o refrão é a seção que “gruda” na cabeça dos ouvintes e se torna, em suas mentes, o coração e a essência da pista. Assim, faz mais sentido começar pela parte mais movimentada, mais completa da música. De lá, você pode trabalhar tanto para frente quanto para trás, ficando mais confortável sobre o quanto você pode tirar de cada parte para construir as seções de introdução e subida até o refrão. Se você começa pela intro, é bem provável que acabe adicionando mais elementos que o necessário e, assim, à medida em que a faixa vai progredindo, quando chegar no clímax do track, o que você terá é um amontoado de elementos sem sentido. Muitos dos problemas que as pessoas têm na fase de mixagem não estão relacionadas com mixagem em si, mas com a organização do espaço – são problemas de arranjo.

 

O poder dos vocais

Nunca subestime o poder de um vocal simples ou, até mesmo, de um sample ou trecho de vocal para animar uma track de música eletrônica. Até vocais curtos podem trazer uma quantidade surpreendente de humanização para uma faixa.

 

Use instrumentos incomuns

Se você não está satisfeito com os timbres que está usando ou está entediado, tente algo incomum. Você ainda pode usar sons que não são de instrumentos. Qualquer coisa que produza um tipo de som pode ser usada como base para um novo timbre.

 

Esteja ciente das expectativas do ouvinte, tanto para satisfazê-las quanto para desafiá-las

Têm vezes em que o melhor a se fazer é o óbvio – é o que a maioria das pessoas espera ouvir. Não tem nada de errado em jogar pelas regras do mercado, mas experimentar e fazer algo que não é imediatamente óbvio também funciona. Basta saber quando e onde cada situação se encaixa.

 

Repita seu gancho em instrumentos diferentes

Se você produziu um bom riff ou um gancho inteligente, usá-lo pelo menos duas ou três vezes vai ajudar a criar uma impressão de continuidade. Mas, para que o seu track não se torne chata, é necessário alternar a repetição com ideias novas. Quando você ouve seu arranjo, deve se perguntar se ele tem partes novas com frequência suficiente para estimular o interesse de quem ouve, ao mesmo tempo em que as melhores partes se repetem na quantidade certa para se fixarem na cabeça do ouvinte. Use seu gancho ou riff de mais de uma maneira. É uma técnica de arranjo clássica ter, por exemplo, a melodia vocal interpretada por instrumentos também. Isso funciona igualmente alternando o mesmo riff para um outro timbre de synth ou para outra seção da música. Essa mudança é tão eficaz quanto tocar uma seção completamente nova.

 

Deixe rolar: grave ao vivo, abrace os acidentes e o inesperado

Qualquer coisa aleatória deve ser incentivada, ao menos no começo. Música, basicamente, é sobre pessoas e suas reações, então você não pode querer o controle absoluto sobre tudo – e isso vale para as suas ferramentas de produção também. Tente encorajar o inesperado na hora de compor – 75% do que sair pode ser inútil, mas os 25% restantes podem ser inspiradores. Encare como uma jam session, sem um rumo definido –  isso pode te levar a ideias que você não teria pensado de forma lógica ou, ainda, que possam ser desenvolvidas depois. Não desanime se a maior parte do que vier for ruim – a parte boa, mesmo que menor, quase sempre compensa.

 

Saiba a forma dos arranjos e estrutura típicos da música eletrônica

Conheça o básico da música para que você possa, em seguida, subvertê-la e desafiar as expectativas, com uma estrutura própria e orgânica. Ou seja: aprender as regras, compreender como e porque elas funcionam, para que você possa saber quando efetivamente quebrá-las. Então, não há problema em pensar em seções de 8, 16 e 32 barras para começar. O erro consiste em manter essa estrutura rígida demais, mantendo os instrumentos em 16 barras, para depois passar tudo para as próximas 16, por exemplo. Para fazer uma música baseada em blocos que seja atraente é mais interessante abandonar a construção linear e se organizar em camadas, eliminando-as no sentido inverso depois do clímax ou, ainda, “matando” a maioria das camadas para revelar apenas uma única camada que contém o gancho. O motivo pelo qual isso funciona tão bem é que a técnica permite equilibrar os kicks e graves para uma sensação hipnótica, ao mesmo tempo que as camadas superiores trazem uma impressão de progressividade e desenvolvimento para a pista.

 

Certifique-se de que você tem uma grande base sonora para produzir antes de se deixar levar por FX e design de som

Não foque demais, ao menos no início, em como a gravação vai ficar. Muitas pessoas tendem a se fixar nisso, quando o melhor seria juntar as partes, antes de mais nada, e ver como elas soam musicalmente – design sonoro, efeitos e mixagem vêm depois. Fazendo isso e usando sons familiares para você, dá para construir rapidinho um arranjo e testar as suas ideias e, à medida em que os grooves e progressões de acordes vão surgindo, você vai substituindo os timbres originais por outros mais novos, mais fortes ou que sejam mais adequados ao resto do track.

Dá vontade de mexer em tudo, mas ainda não é a hora. Deixe isso pra outra fase

Busque abordagens diferentes para compor e arranjar

Se você está produzindo música eletrônica por um longo período, é fácil começar a se sentir travado e sem criatividade. Mudar constantemente seu método de trabalho é uma alternativa para enxergar a música através de um outro ponto de vista. Essa interrupção da monotonia geralmente resulta em momentos de inspiração e no desenvolvimento de novos truques e técnicas.

 

Algumas sugestões:

 

Método de loop – escreva uma melodia ou uma seção de bateria de 8 ou 16 tempos e, em seguida, adicione outros instrumentos nesse núcleo a cada vez que você reproduzir esse loop. Uma vez que você colocou elementos suficientes para sentir que chegou ao clímax de uma track, copie e cole o loop no comprimento de uma faixa e, então, comece a silenciar partes para criar variações no arranjo.

 

Método de amostra – reúna uma pequena seleção dos seus samples ou suas próprias gravações e tente montar um track usando só isso. Você achará a restrição desafiadora e, eventualmente, criará coisas legais que você talvez não faria se tivesse opções ilimitadas.

 

Método piano – tente criar uma faixa completa usando somente o timbre de piano. Uma vez que você conseguir uma boa progressão melódica, é hora de substituir o timbre de piano por synths, bateria e outros instrumentos, para só então seguir com efeitos, programação e processamento. Obrigar-se a começar uma música com base musical garante que ela não será dominada pelos efeitos e os resultados costumam ser mais compensadores.

 

Método jam ao vivo – comece com um loop básico de baixo e bateria, copiados durante uns dois minutos. Escolha um pacote de sintetizador e comece a improvisar até que consiga uma melodia ou acorde que você goste. Grave uma ou duas vezes, ouça de novo e separe o que você achar que tem potencial. Repita o processo, mas, dessa vez, focando no desenvolvimento das partes em potencial ou, ainda, use essas partes para desenvolver outras, da mesma forma que você começou. Evite processamento e efeitos logo de cara, para manter o fluxo do improviso e, só depois, pense nisso. Você perceberá como a sua abordagem inicial vai se modificando à medida em que as partes vão se desenvolvendo.

 

Método imersão musical – veja quantas faixas você pode produzir a partir do zero em um único dia. Isso faz maravilhas para desbloquear sua criatividade e forçá-lo a perder as tendências perfeccionistas que, muitas vezes, o impedem de finalizar boas ideias na sua produção musical.

As tacinhas são para você comemorar o seu novo track

Menos é mais: cinco peças ou menos a qualquer momento

Se você ouvir um monte de arranjos em qualquer estilo, vai perceber que a maioria deles não contém um grande número de peças. Cinco elementos de uma só vez, – com os kicks incluídos – geralmente, é o máximo que você vai ouvir e essa regra parece se estender além das fronteiras de gênero. Se jogar em camadas e mais camadas pode ser uma tremenda perda de tempo, já que há elementos demais para o cérebro notar, antes que tudo se transforme numa massa sonora disforme e o impacto individual das peças se perca. Dito isso, no entanto…

 

Adicione camadas ou duplique partes para dar mais pegada e caráter

Cinco partes não querem necessariamente dizer apenas cinco instrumentos. O caráter e a variação sonora podem ser compostos de vários elementos individuais cuidadosamente escolhidos, de forma que, embora todos ocupem sua própria faixa de frequência, cada um contribui a uma composição que é percebida no final como uma única peça musical. Se feito da forma correta, dois timbres podem formar um só, com mais peso e caráter.

 

Aprenda um pouco de teoria musical

Mesmo uma pequena quantidade de conhecimento de teoria musical pode melhorar e muito as suas produções de música eletrônica.

 

Não é chato nem científico e vai te ajudar a encontrar eventuais erros ou facilitar a análise do que está ou não funcionando no seu track.

 

Outra grande vantagem de saber alguma teoria é que você pode voltar para a parte técnica quando a inspiração pura e simples estiver em falta e, assim, manter os seus projetos fluindo. Assim, sua produtividade vai melhorar junto com a sua compreensão.

 

Já que chegou até aqui, por que não aproveita para dar uma olhada em nosso curso de Síntese Sonora? 😉 

Já faz quase 50 anos que o DJ mudou a forma como experimentamos música, mas pouca gente sabe exatamente o que um DJ profissional realmente faz no palco.

Se você sair perguntando por aí, a maioria das pessoas vai te dizer que um DJ aperta alguns botões, ao mesmo tempo que sorri e coloca as mãos pra cima.

Mas um DJ profissional faz muito mais do que isso, pode ter certeza. É preciso estudar e praticar muita coisa pra fazer o que um DJ faz no palco.

E nós vamos explicar tudo o que pudermos neste post.

 

Pra começar, DJs não são todos iguais.

Hoje existe um senso comum, repetido até mesmo por alguns profissionais do ramo, de que qualquer pessoa, mesmo sem treinamento, pode ser DJ.

Isso não é exatamente verdade. Qualquer um pode ser DJ sim, desde que treine para isso.

Essa é uma ilusão criada pela tecnologia que envolve a discotecagem. Mas os softwares de discotecagem não fazem o trabalho sozinho, eles são uma ferramenta. E, como toda ferramenta, é necessário estudá-la para explorar todo o seu potencial.

O que um DJ profissional faz é resultado de um conjunto de habilidades que requer estudo e prática.

Dizer que qualquer um pode ser DJ, mesmo sem estudo, é o mesmo que dizer que qualquer pessoa que saiba dirigir pode ser um piloto de Fórmula 1.

Todos sabemos que um carro de F1 é completamente diferente de um carro comum. Mas vamos admitir: deve ser BEM divertido aprender a pilotar um F1!

Não é o software ou equipamento que vai te tornar um bom DJ. Um profissional sabe extrair o melhor com o que ele tem à mão. Como esse cara aqui:

 

Se você tem facilidade para escolher músicas e todo mundo elogia as suas listas do Spotify, ótimo. Isso é um bom sinal. Mas até você se tornar um DJ profissional ainda tem alguns passos.

Um DJ precisa manter a harmonia musical e rítmica do seu set, para que as pessoas possam apreciá-lo. As transições de música precisam ser profissionais, suaves. Se ele erra aqui, todo mundo percebe, e isso mata o clima da pista.

As pessoas vão olhar feio para ele, ou mesmo vaiá-lo. Nem mesmo superstars estão livres disso.

Existem outras habilidades que são fundamentais para que o DJ faça o seu trabalho da forma certa e emocione as pessoas.

Você já deve ter ido a um club ou festa em que o DJ parecia desconectado do público. Qual foi a sensação que você teve?

Deixe-nos adivinhar qual foi a sua reação – e, provavelmente, a do resto das pessoas que estavam lá: a sensação foi a de que ele era um DJ ruim, certo?

Esse é um dos pontos que um DJ profissional tem que dominar com maestria: ele precisa saber “ler” o seu público, e se conectar com a plateia.

Já imaginou ter o controle de uma pista e alterar o “humor” dela apenas pela música? Então, isso é a leitura de pista.

Isso não significa que o profissional tem que ser uma máquina de tocar hits. Na verdade, tocar apenas sucessos é um dos jeitos mais rápidos que existem para esgotar uma pista. O DJ tem que entender a pista, mas não pode se tornar refém dela. É um processo de troca entre o DJ e a sua audiência, em que ele é o condutor.

A leitura de pista serve para o DJ observar as reações do público ao que ele está tocando para escolher as músicas mais adequadas. É claro que o tempo e a experiência ajudam a tornar o processo todo mais suave, mas a leitura de pista começa muito antes da gig. E essa é uma das experiências mais gratificantes do trabalho!

O DJ pode, por exemplo, ir algumas vezes à festa em que pretende tocar para se colocar no lugar do público e entender as suas emoções. Saber o que movimenta aquelas pessoas na pista.

Uma playlist pronta simplesmente não funciona nesses casos.

Principalmente se o DJ tocar em grandes eventos, ou fazer sets longos, de 5, 6 horas.

É muito tempo para ficar apenas fingindo, concordam?

Cada público é único, e seu comportamento muda durante o evento. A energia de uma plateia no começo de um evento é completamente diferente da de quem está no fim dele. É preciso modular isso durante a festa. O DJ precisa entender a dinâmica da pista. É um passeio de montanha-russa.

E a melhor forma de estar preparado é pesquisar muito e de tudo um pouco. Ou seja, boa parte do trabalho do DJ envolve ouvir muita música! Tem coisa melhor?

Você certamente já teve que dar um presente para uma pessoa que não conhecia, certo?

É mais ou menos assim. Mesmo em festivais ou em clubs, a variedade de gostos é imensa. O DJ tem achar um ponto de equilíbrio entre as suas referências e as do seu público, mas com o seu toque pessoal. Aquilo que faz com que as pessoas saibam que é o DJ (coloque aqui o seu nome artístico) que está tocando, e não qualquer outra pessoa.

É claro que o DJ provavelmente não vai agradar a todos, mas é sua função chegar o mais perto disso. Ele tem que fazer isso ao mesmo tempo em que imprime a sua personalidade, através das músicas que ele escolhe para o seu repertório. É meio que se apresentar para um novo grupo de amigos, usando a música como linguagem.

E isso é outra coisa que um DJ profissional faz: ele seleciona um conjunto de músicas para um público específico.

Para isso, ele tem a obrigação de estudar a história da música – e não só da eletrônica. Tem que entender de estrutura musical, nota, BPM, música atual e tendências, até mesmo das letras.

Se você nunca tirou um tempo só para ouvir coisas novas (ou velhas, mas desconhecidas pra você), ou nunca visitou uma loja de discos, não sabe o que está perdendo. Na verdade, embora essa seja uma das partes mais legais e divertidas do trabalho, o que um DJ profissional faz não se limita à pesquisa de música.

Ele ainda precisa entender de acústica, conhecer bem todos os equipamentos que vai usar; saber as características de cada um deles para ajustar o som no volume certo para o espaço e a quantidade de pessoas para quem vai tocar.

Precisa saber o que fazer se o som não sai, que tipo de cabos usar, os requisitos elétricos para cada tipo de aparelhagem.
Tem que saber como usar um mixer, caixas de som, controladoras, softwares de DJ, efeitos, iluminação.

Com tantas habilidades, a profissão passa longe de ser rotineira. Se tem uma palavra que não existe no vocabulário do DJ profissional, essa palavra é tédio!

 

A principal coisa que diferencia um DJ profissional de um amador é a técnica.

Essa técnica se chama Beatmatch e é usada para fazer a transição de uma música para a outra de maneira que elas “conversem” entre si e deem a impressão de continuidade, como se fosse uma única grande música.

Guardadas as devidas proporções, é mais ou menos o que um maestro faz com uma orquestra – ele conduz cada seção dela para enfatizar essa ou aquela parte da peça musical que eles estão executando.

É a maneira como cada maestro conduz a orquestra que torna a mesma peça diferente a cada audição. Cada um deles coloca as emoções da música em partes diferentes da peça, tornando-a única. De certa forma, isso também é o que um DJ profissional faz.

Ele filtra as suas próprias emoções, as do público e as traduz em um set de discotecagem. Assim, dá para dizer também que o DJ é um mediador de bons sentimentos para a sua plateia.

Como o DJ e produtor francês Laurent Garnier costumava dizer, “O DJ tem que contar uma história”.

E ele faz isso através do seu set, construindo uma narrativa em que cada música é como uma frase da sua história. O que torna essa narrativa interessante é como e em que ordem essas frases são coladas.

Um set de DJ profissional é como um livro em que cada capítulo muda um pouco a cada nova leitura. O resultado é que a história nunca é completamente a mesma.

E o público não cansa de ouvir porque sempre tem um capítulo novo, diferente.

Falta bem pouco para você entender tudo o que um DJ profissional faz. E, nessa parte aqui, a gente sai um pouquinho da música.

Ele também precisa gerenciar sua carreira.

Isso envolve conhecer boas práticas em redes sociais, preparar um presskit adequado, saber se relacionar com os contratantes, e entender como funciona todas as etapas da contratação. Um DJ profissional precisa gostar de gente, e saber como interagir de acordo com cada situação. E é uma excelente oportunidade de fazer novos amigos.

Isso é especialmente importante para quem está começando ou não tem um agente para lhe representar. Você tem que construir relações profissionais honestas e genuínas.

O comportamento do DJ profissional é o seu currículo. Isso vale da pista pra fora também.

E tudo isso se resume a uma palavra importantíssima: planejamento.

O momento em que você vê o DJ no palco, tocando e interagindo com o seu público, é só uma pequena parcela do trabalho.
Tem uma parte muito maior, mas não menos divertida de trabalho antes disso. O DJ no palco é a ponta do iceberg. É o resultado de todo um preparo que começou bem antes de ele estar ali.

E para que isso dê certo, saber separar cada etapa do trabalho e colocar as atividades na ordem correta é fundamental. Sem organização, o trabalho se perde. Usar um app de organização pessoal como o Trello pode ser útil.

O que um DJ profissional faz não é apenas apertar botões, sorrir e colocar as mãos pra cima.

Mas pode ter certeza: a partir do momento em que você entende quando, como e porque apertar os tais botões, você começa a sorrir também. Aliás, você e o público.

O que você está fazendo para se tornar um DJ profissional?