Como ser mais criativo na produção musical

Todos sabemos o quanto é difícil fazer qualquer tipo de trabalho que toma muito tempo sem se distrair. E com produção musical não é diferente.

Quando você começa a produzir, tudo funciona – não que a música em si soe boa logo de cara, mas mas você não tem problemas de passar horas e horas sentado trabalhando em um projeto. Mas, à medida em que o tempo passa e você aprende mais e mais sobre produção musical, você começa a adquirir maus hábitos – afinal, aquela checada no Facebook não vai atrapalhar a produção, certo?

Errado.

As distrações nos fazem perder o foco, e, por consequência, trabalhar de forma lenta e ineficaz. É por causa delas que muita gente pensa que não tem o talento necessário, ou que sofrem de algum tipo de bloqueio criativo.

 

Hello darkness, my old friend

Separamos algumas ideias que podem funcionar de forma diferente para cada pessoa – então, o legal aqui é testar cada uma durante um tempo e ver com o que você se acerta melhor. Acompanhe:

 

Otimizando seu espaço físico

Embora o aspecto mental do trabalho criativo seja o mais importante, o ambiente físico ainda influencia a forma como você faz a sua produção musical.

Quer um exemplo? Se você tiver um jogo bacana no seu computador, ou ainda, um console conectado no mesmo monitor que você usa para produção, é bem provável que você se sinta tentado a usá-lo em algum momento. Se você tiver, faça um favor a si mesmo e coloque o console em outro lugar da casa.

 

Mantenha sua mesa limpa

Existe um ditado corporativo que diz: “Se uma mesa cheia é sinal de uma mente desordenada, uma mesa vazia é um sinal de? “ Existem pessoas que lidam bem com um espaço de trabalho desordenado, mas elas são 1% do total, acredite. Ao manter sua mesa arrumada, você mantém o foco, e não vai ter que dizer “não repara na bagunça” se for fazer uma collab com um amigo. Então, tire tudo o que possa te causar algum tipo de distração visual da mesa – como aquelas canecas de café que estão aí há uma semana.

 

Uma boa cadeira também é um equipamento

Já parou para pensar na quantidade absurda de tempo que você passa sentado numa produção musical? Então, não tenha medo de comprar uma boa cadeira de escritório. Não precisa ser daquelas absurdamente caras, mas uma que proteja as suas costas e te deixe confortável por um longo período de tempo já resolve.

Outra opção, ainda que mais cara, é comprar uma mesa de trabalho em pé – faz menos mal para a saúde, e você ainda pode dançar enquanto produz – já existem modelos que regulam a altura, assim você pode variar quando estiver cansado. Além disso, a simples ação de mudar a posição em que você trabalha força o seu cérebro a trabalhar de forma diferente. Faça um teste!

 

Você precisa mesmo de dois monitores?

A maioria dos iniciantes em produção musical acham que ter duas telas é uma boa maneira de trabalhar mais rápido. Claro que existem vantagens, mas nem sempre esse é o caso.

Duas telas cheias de nada. To rindo, mas é de nervosa

Com uma tela só, é mais fácil você focar em um aspecto da produção por vez, algo que fica mais complicado com dois monitores. As duas maneiras de trabalhar são boas, mas vale testar para ver se aquele monte de plug-ins abertos não estão te atrapalhando ao invés de ajudar.

 

Minimize as distrações externas

Mesmo que você consiga eliminar as distrações na área de trabalho, é bem provável que você ainda encontre algumas outras, como por exemplo:

  • Namorada(o)
  • Esposa/marido
  • Crianças/parentes/pais
  • Pessoas que dividem a casa com você
  • Cães, gatos, bichos de estimação em geral
  • SEU TELEFONE

É assim que seu telefone deve ficar: apagadinho

 

E, por tudo que há de mais sagrado, por favor, desligue o telefone! Se você sua frio só de pensar em deixar o telefone desligado, ao menos coloque no modo avião, para que nada possa te atrapalhar. A não ser que você seja um médico de plantão, você não vai precisar dele.

Se você divide moradia, considere uma plaquinha de “não perturbe”. Parece exagero, mas acredite: nada quebra mais o seu fluxo criativo do que aquela chamada básica para ver um vídeo engraçado no YouTube.

Se você chegou até essa parte do texto, já deve ter adotado algumas dessas sugestões. Seu ambiente de trabalho já está limpo de distrações, você colocou aquela plaquinha de “não perturbe” na porta, e aquela cadeira de escritório te deixou confortável o suficiente para passar mais tempo produzindo, mas você sente que ainda falta algo.

Então, agora é hora de arrumar a parte mais bagunçada de qualquer produtor musical – o seu cérebro! Ter seu espaço físico arrumado ajuda e muito, mas desenvolver algumas atitudes mentais também. Aqui vão algumas dicas que podem fazer a diferença para liberar seu potencial criativo:

 

Crie uma rotina e cumpra-a

Se você der uma pesquisada sobre profissionais de produção musical, vai perceber que todos eles têm algum tipo de rotina. É comum acreditar que a rotina mata a criatividade, e que é melhor fazer música quando a inspiração bate. E o que fazer quando ela não vem? O que você precisa é de disciplina, não de inspiração!

É nessa hora que a rotina pode ser útil – se você cria uma rotina de produção, mesmo que por um período curto de tempo, mas todos os dias, você mantém uma mentalidade criativa sustentada – o resultado é que você faz mais e melhor a cada dia que passa, e o processo fica bem mais fácil do que se você só produzisse de vez em quando.

 

Defina um objetivo para cada sessão

Você conseguiu reservar um bom tempo para produção musical – umas duas horas por semana, digamos – e resolveu sentar para por em prática uma ideia que estava na sua cabeça há dias. No fim da sessão, você não notou um grande progresso.

Acrescentou um sample aqui e ali, ajustou alguns parâmetros de áudio, mas no fim você mais enrolou do que qualquer outra coisa. O problema é um só: faltou um objetivo. Definir um objetivo para cada sessão é uma das partes mais subestimadas da produção musical.

Anote quais serão os seus objetivos antes de começar

Se você vai começar um track novo, seu objetivo pode ser construir a linha de baixo, montar o drum kit, escrever uma melodia, não importa. Aqui, o foco é entender o motivo pelo qual você está sentado em frente ao computador. Comece com um objetivo por sessão, e, conforme você vai pegando o jeito, coloque mais alguns, como criar um arranjo básico e as linhas de bateria. Isso resulta em uma sessão de produção mais focada, e faz com que você termine seu track em menos tempo.

 

Trabalhe rapidamente

Existe um pensamento equivocado de que uma produção rápida pode levar a um produto de qualidade inferior. Há certos pontos do processo de produção em que você tem que parar para pensar sobre o que você está fazendo, mas decisões intuitivas podem levar a bons resultados na maior parte das vezes.

Decisões intuitivas acontecem rapidamente, então otimize seu raciocínio para elas. Quanto mais rápido você trabalha, menos analisa o que está fazendo – e quanto mais você analisa, menos criativo você está sendo, porque o raciocínio analítico reduz o pensamento criativo. Deixe a criatividade solta, e, se for o caso, corrija os erros depois.

 

Pense em si mesmo como um profissional

Você tem que se ver como um profissional, mesmo que não viva de música. Por quê? Porque isso vai te ajudar a trabalhar melhor:

 

  • Profissionais não esperam a inspiração, eles trabalham com ou sem ela;
  • Profissionais expandem sua base de conhecimento o tempo todo;
  • Profissionais sabem que existem dias bons e ruins, e que fazer algo nos dias ruins é tão importante quanto mandar muito bem nos dias bons.

Seja profissional, mesmo que a produção musical ainda não seja a sua profissão!

Agora que você já deu uma organizada no seu ambiente de produção, e, na sua cabeça também, vamos cuidar pra que você não fique empacado no meio do caminho. Abaixo, listamos algumas atitudes ruins que todo produtor, iniciante ou não, toma de vez em quando. Aprenda a identificar esses momentos, e fuja do bloqueio de criatividade. Vamos lá!

 

Os 3 jeitos mais comuns de arruinar sua criatividade como produtor (e como se livrar disso)

É inevitável: todo produtor de música eletrônica (de qualquer tipo de música, na verdade) passa por um período de “seca” de tempos em tempos.

Vale pedir ajuda pro coleguinha também

A verdade é que, na maioria das vezes, essa falta de criatividade vem de algumas dúvidas ou cobranças auto impostas, e poderiam ser evitadas com a adoção de hábitos mais saudáveis na hora de compor. Então, se você é produtor, ou pretende se tornar um, essas dicas podem ser úteis para você.

 

  1. Não ter certeza se parte da sua música é muito enrolada, ou se está repetitiva ou estendida demais.

 

Porque você não deve se preocupar: o comprimento ou repetição das seções da sua música são coisas que você deve medir pela reação do seu público.

 

Como lidar com isso: na produção de música em geral, existe uma coisa chamada expectativa de gênero, ou seja: o público sabe o que esperar de um determinado gênero de música. Então, siga os fundamentos do gênero que você produz.

 

 

  1. Achar que sua música ou alguma parte dela é muito “simples”.

 

Porque você não deve se preocupar: complexidade não significa que algo é bom ou ruim – significa apenas que é complexo.

 

Como lidar com isso: entenda que o simples é uma escolha estética, e que a maioria das músicas impressionantes são realmente simples – elas te levam ao ponto que interessa, sem distrações. Música complexa demais tende a ser uma viagem mais que qualquer outra coisa – pense em rock progressivo, por exemplo, com todas as suas camadas e mudanças de tempo.

Se você convive com outros produtores de música eletrônica, já deve saber que complexidade pode se tornar chato. Como produtores, devemos procurar meios de tornar a arte interessante. Assim, podemos facilmente substituir a técnica por bom senso.

Um ouvinte médio não dá a mínima para quantas mudanças de tempo ou modulações de synth você colocou na sua música. Faça o que você precisa fazer para dizer o que quer dizer, e você se conectará com alguém.

Mas perceba que manter as coisas simples não deve ser uma desculpa para ser preguiçoso. É apenas um método de remover os excessos e camadas estranhas do seu som, para que você e seu público identifiquem a essência da sua música.

 

  1. Você não consegue fazer os sons que deseja, e acha que suas produções são esquisitas

Travou? Dê um tempo e vá fazer outra coisa

 

Porque você não deve se preocupar: se você acha que sua produção não soa bem, provavelmente você está se comparando com outros produtores – e isso não é uma razão válida.

Como lidar com isso: primeiro, pare de se comparar com outros artistas. Se seu objetivo não é recriar uma música, você deve parar imediatamente. Comparar-se a profissionais que já dominam a produção é uma excelente maneira de questionar o seu próprio gosto musical e perder a sua identidade – e de fazer você deixar de se sentir bem produzindo música. Podem haver outros motivos pelos quais você não está gostando do que está produzindo, então tente ouvir suas músicas com a mente mais aberta possível.

Isso é especialmente comum se você passou tempo demais em cima de um projeto específico. Talvez você precise se afastar desse projeto durante um tempo – algumas horas, ou dias, e deixá-lo amadurecer um pouco. É difícil se manter objetivo quando se passa tempo demais em cima de apenas um projeto.

Uma sugestão: não perca tempo! Ao invés de apenas ler e concordar com este post, tome algumas atitudes. Crie uma rotina sustentável para a sua produção – se você não tem uma, crie já – 45 minutos por dia é um bom começo. Não esqueça de definir suas metas – se você está começando agora, um curso de produção de música eletrônica é uma excelente maneira de entender e agilizar os processos. E melhorar o aspecto físico do seu local de produção vai te manter longe das distrações.

Mas se você já está produzindo e quer melhorar suas composições, criar seus próprio timbres e samples, então precisa conhecer o curso de Síntese Sonora da Yellow DJ Academy.

O que você está fazendo para se tornar um produtor de verdade?

Você, sem nem saber de produção musical, conhece bem a sensação de ouvir um track de música eletrônica bem produzida: cada um dos seus elementos parece transbordar energia e a música parece envolver toda a pista, dando a impressão de que ela é um organismo vivo.

Mas, para quem quer se tornar um produtor de música eletrônica, as coisas podem não ser tão fáceis quanto parecem, ao menos no começo. Parece que apenas saber a estrutura de uma música e agrupar os elementos, loops, synths e efeitos é o suficiente. O resultado é que o seu track acaba sem a energia e a dramaticidade que você esperava.

A boa notícia é que, com um pouco de estudo e informação, você pode facilmente se tornar um bom produtor.

 

Há uma série de truques que você pode usar para construir seus tracks e fazer com que elas pareçam vivas, com um poder próprio. Nenhuma das dicas a seguir é muito difícil de se implementar por conta própria, mas garantimos que um curso de produção de música eletrônica vai fazer com que você saiba onde e quando aplicá-las da melhor maneira possível. Assim, você trará o dinamismo e o senso de urgência que um bom track deve ter para o seu som. Boa leitura!

 

Seis dicas para quem está começando na Produção Musical

Se você está começando na produção de música eletrônica, é normal que passe batido por alguns pontos importantes no processo. Para dar aquela forcinha básica, separamos essas primeiras dicas para você. Vamos lá?

 

Bastam alguns poucos equipos e muita vontade, o resto vem com a prática

 

  1. Saiba mais sobre técnicas de compressão

Um erro comum, mas que impede amadores de obter um som “cheio”, e completo, é que quanto mais sons são unidos em uma track, mais aumentam as chances das frequências cliparem. Assim, você baixa cada canal, e tudo volta ao normal, certo? Não exatamente. Para corrigir isso, você precisa aprender sobre compressão e mixagem. Se usada corretamente, a compressão reduz as variações entre os níveis de ganho de um canal de áudio, o que permite que você aumente o volume geral da faixa sem cortes na sua produção musical.

 

  1. Reduza o ruído desnecessário com a EQ

Remover frequências abaixo de 30-40Hz em elementos da sua track é uma boa ideia. Além delas não acrescentarem nada à sua mix, ela vai ajudar a entupir ainda mais o track. Então, muito cuidado com as frequências – evite usar muitos sons graves juntos, por exemplo. As frequências vão se misturar e criar um som estranho. Aprenda a usar o analisador de espectro da sua DAW.

 

  1. Cuidado com os presets

Na produção musical, Presets são uma grande ajuda não só para quem está iniciando na produção de música eletrônica, mas para profissionais também. No entanto, muitos plug-ins VST são projetados para terem um excelente resultado se usados em separado, mas podem criar problemas quando usados em conjunto com outros plug-ins. A menos que você consiga identificar e corrigir as frequências conflitantes, usar muitos presets pode resultar em um som abafado.

 

  1. Não se afunde no Reverb

Um erro comum entre os novatos em produção é usar muito processamento nos efeitos. Embora isso possa produzir resultados criativos, seu uso excessivo pode acabar com o seu track. O Reverb é um efeito que é usado abusivamente por iniciantes. Você estará fazendo a coisa certa se baixar o Reverb até que não note mais sua presença, ou melhor ainda, quando mostrar o track para alguém e essa pessoa só notar a ausência do efeito quando você removê-lo, sem que ela tivesse percebido antes.

 

  1. Esteja ciente de que está usando demais o Limiter

Apesar do Limiter ser uma ferramenta valiosa, um novato quase sempre irá abusar do recurso – e a culpa disso é a exigência de faixas cada vez mais altas. No entanto, o excesso de Limiter deixa o som sem dinâmica, sem graves e agudos claros. Pode até ficar alto, mas vai soar muito pouco natural. Aprenda a alcançar um equilíbrio entre volume e faixa dinâmica.

 

  1. Não fique preso no loop

Loops se tornaram parte importante da produção de música eletrônica, e não há dúvida que algumas grandes faixas formam compostas dessa forma. No entanto, o uso excessivo do loop pode tornar uma faixa sem graça. Se você quer usar o mesmo sample várias vezes, aprenda a modificá-lo, para obter variações e manter o seu ouvinte interessado na música.

 

Curtiu as dicas? Então se liga nas próximas – elas são úteis tanto para amadores quanto para quem já produz há algum tempo. Bora lá!

 

Ser um profissa como o Hawtin leva tempo, mas não é impossível

 

Desligue o sync do Delay e do Reverb

Experimente desligar a sincronização de tempo do seu Delay e tente brincar com tempos maiores de Reverb antes do Delay. Programar esses efeitos manualmente pode trazer uma diferença de tempo sutil que é surpreendentemente eficaz para deixar o groove mais solto e dar um toque mais humano aos seus tracks.

 

Use loops de percussão com groove para soltar sua batida principal

Esse é um truque clássico e que sempre funciona. Loops de percussão randômicos transformam instantaneamente qualquer batida reta ou seca demais. Experimente vários loops de percussão diferentes, combine-os, recorte-os, enfim, brinque bastante com eles. Isso estimula a sua criatividade e faz com que várias ideias para novos tracks apareçam.

 

Sampleie grooves e padrões das suas tracks preferidas

Recorte as suas baterias preferidas e grooves e as use para criar seus próprios templates. Você pode fazer isso com o seu software de produção ou, ainda, alinhar o seu próprio MIDI em um canal “vizinho” ao sample, adicionando sua própria informação de velocidade, se necessário. Isso demanda um pouco mais de prática, já que você tem que saber exatamente onde começa cada toque dos instrumentos contidos no sample. Mas, assim que você pegar o jeito, isso se torna um processo mais simples.

 

Programe as partes de instrumentos sampleados como se estivessem sendo tocados de verdade

Instrumentos reais têm limitações que podem ser úteis para dar mais realismo aos seus samples programados. Para dar um exemplo básico, um baterista só tem dois pés e mãos, então, se ele está tocando um prato no começo de uma nova frase, ele provavelmente não vai tocar um chimbal, tom ou outra parte da percussão durante esse movimento. Incorporar essas sutilezas fazem uma diferença surpreendente na hora de dar um toque natural às suas programações, mesmo na música eletrônica, em que esse realismo não é exatamente necessário.

 

Use samples randômicos na sua produção musical 

Você pode configurar uma pequena quantidade de samples diferentes para serem selecionados de forma aleatória a cada vez que uma nota específica for acionada – por exemplo, 8 timbres ligeiramente diferentes de caixa. Isso evita que cada toque de caixa seja exatamente o mesmo a cada loop. Mesmo que pequenas, essas diferenças têm um profundo efeito sobre o resultado final, especialmente se você estiver programando baterias e preenchimentos.

A gente também quer ser o Detroit Swindle quando crescer. Foto: Red Bull

Deixe a preguiça de lado: faça variações dos seus loops

Só porque a percussão em uma música eletrônica é montada em loops, isso não significa que tem que ser o mesmo loop curto durante todo o track. Resista à tentação de criar um loop curto de 2 tempos e repeti-lo na música inteira. Ao invés disso, grave variações do loop usando o mesmo kit de bateria ou percussão. Cada versão que você gravar terá diferenças em relação ao tempo ou dinâmica, e isso traz a mesma sensação de música tocada “ao vivo” de uma bateria real.

 

Construa melodias através do contraponto

Ouça suas músicas preferidas e vai perceber como qualquer parte isolada dela é simples. Normalmente, a mágica acontece pela interação entre as partes e instrumentos. A soma de todas essas partes que interagem cria uma nova frase musical completa – isso é o contraponto. Ao invés de criar melodias complexas com um único instrumento, mantenha suas linhas de synth, baixo e bateria mais simples e “quebre-os” para expressar os diferentes elementos da frase musical através de vários instrumentos ou sons. Vai parecer mais fluído e envolvente.

 

Use a síncope rítmica para dar tensão aos seus beats

Síncope é para bateria e percussão mais ou menos a mesma coisa que o contraponto é para a parte melódica. Sempre planeje com cuidado a interação entre seus elementos rítmicos – ela é extremamente importante na produção de música eletrônica. Em um compasso 4/4, o interesse é gerado, normalmente, quando se cria uma dinâmica em torno do bumbo-caixa. Para dar mais vida às suas linhas de bateria, tente contrastar os outros elementos que estão em volta da batida principal. Atrasar ou adiantar em pequenos intervalos as batidas secundárias cria uma deliciosa sensação de tensão e urgência no seu track.

 

Use músicos para tocar sobre partes programadas

Isso é um truque bastante comum entre produtores de trilhas sonoras ou compositores de orquestra com um orçamento limitado. Eles usam bibliotecas de samples para grandes partes de orquestra, mas contratam alguns músicos para tocar em algumas partes. Você pode aplicar o mesmo método em suas produções também, adicionando uma camada de performance ao vivo em cima de uma frase ou um filtro automatizado manualmente em uma seção de synths ou pads muito “dura”.

 

Use elementos para antecipar a tensão no ouvinte

Criar uma estrutura e arranjo interessantes para uma plateia em uma track é como contar uma história: você precisa desenvolver uma narrativa em que os elementos tenham emoção suficiente, mas não a ponto de deixá-lo encurralado em sua própria música, sem espaço para deixar que a música progrida. Lembre-se de que você tem todo o espaço da sua produção musical para colocar as partes matadoras, efeitos e ganchos, então não amontoe tudo na primeira seção. Pense nas suas melhores partes da sua composição como uma moeda – gaste com sabedoria, apenas nos pontos do track em que você terá o máximo impacto sobre a sua audiência.

Menos é mais: regra de ouro na produção musical

Aprenda os efeitos psicoacústicos das frequências

Há uma interessante relação entre a percepção do nível de excitação em torno de uma parte específica de uma faixa e quantas ou quais faixas de frequência estão sendo preenchidas naquele momento. Por exemplo, pense no que acontece em uma pista quando se corta a bateria e sobra apenas um synth pesadão, subindo: as pessoas instintivamente param de dançar, e jogam as mãos para cima. Elas não pensam a respeito, mas sabem que é um break. Por outro lado, se você tira o synth e solta apenas uma bateria ou um groove de baixo, as pessoas tendem a dançar de novo. Pense em enfatizar – ou não enfatizar – alguns trechos específicos do seu track, usando as frequências.

 

Master alto, dinâmica baixa

Não tem porque haver alguma relação entre o nível em que um elemento é colocado no seu track e o nível em que esse elemento foi originalmente gravado. Por exemplo, você pode pegar um vocal gritado e colocá-lo na sua faixa em um volume baixo junto com os outros vocais – ele ainda vai soar como um grito, mas por estar mais baixo que os outros elementos, pode gerar profundidade e interesse no seu track. Da mesma forma, um sussurro aplicado bem alto na mix continua sendo um sussurro, mas muito mais intenso, devido ao volume com que foi aplicado. Essa técnica pode ser aplicada a qualquer instrumento e aumenta muito a tensão e a atmosfera de um track.

 

Ouça, ouça, ouça: analise e desconstrua suas músicas favoritas

Voltamos a dizer: não há absolutamente nenhum substituto para a experiência. Por isso, analise cuidadosamente os arranjos das suas track favoritas. Ouça o que os outros produtores têm feito e porquê aquilo funciona (ou não, se for o caso). Quanto mais você ouve, mais fácil fica de entender os detalhes que fazem a diferença. Vale tudo: puxar um MP3 da faixa para o seu software de produção e picá-lo, ou usar marcadores no começo de cada seção. Observe como os elementos aparecem em cada parte, e, eventualmente, você terá uma ideia de como o produtor daquela faixa pensou na construção dela. É mais ou menos como desmontar um motor e ver como as peças se encaixam.

 

Cruzamento de dados: ouça mais do que os seus gêneros preferidos

Os melhores produtores de música eletrônica são musicologistas. Eles não fazem distinção entre gêneros ou estilos, apenas dividem a música em boa ou ruim. Assim, olhe além do seu gênero preferido para se inspirar. Então, se você está fazendo produção musical eletrônica, bem reta, pode ser legal ouvir música clássica ou rock para entender as diferenças entre as estruturas de cada estilo e, assim, obter uma inspiração diferente. É interessante perceber, por exemplo, que no metal a música muitas vezes para, volta e para de novo, apenas para criar expectativa. Mantenha seus ouvintes surpresos e eles continuarão engajados na sua música. Há muito a ser aprendido na música clássica. É difícil especificar apenas um ponto que você pode aprender ouvindo música clássica, mas só o fato de você estar em contato com uma imensa gama de compositores pode trazer uma plenitude de ideias no que diz respeito a novas texturas e combinações instrumentais – sem contar a quantidade de samples que você pode obter daí.

 

Se uma parte não funciona, não perca tempo – jogue fora e vá adiante

Isso é muito mais difícil de fazer do que parece. Mas mantenha o seu ritmo e não tenha medo de jogar seu trabalho fora, até que só fiquem as partes realmente boas. A grande sacada aqui é se mover rapidamente entre as peças do seu trabalho. Essa agilidade mantém um frescor, mas ele pode se perder facilmente se você tentar fazer tudo perfeito demais. Apenas tenha a segurança de que cada parte do seu som tem o peso que você quer. Lembre-se, menos é mais.

Ficar uma semana ou um mês preso aqui é fácil. Desapegue e siga em frente

Mantenha o tempo certo

A maioria dos gêneros de música eletrônica tem tempos específicos, em que trabalham melhor – House entre 120 e 125 bpm, Dubstep em torno de 140, Drum & Bass em 170 ou 180 bpm. Se você quer produzir um tipo específico de música eletrônica, faz sentido saber quais os tempos desse estilo para que os DJs possam mixar o seu track com outras do mesmo tipo. Uma vez que você assimilou isso, você pode experimentar algumas variações de bpm dentro do limite do estilo. Assim, você irá descobrir o que se encaixa melhor com o seu track. Outra coisa legal sobre tempos musicais é que é cada vez mais aceitável brincar com eles em um determinado trecho da música, aumentando ou diminuindo o tempo antes de um refrão, por exemplo.

 

Comece pelo meio para uma produção mais “limpa”

Normalmente, as partes mais importantes de uma música são a introdução e o refrão. A introdução define o humor e o sentido da canção, enquanto o refrão é a seção que “gruda” na cabeça dos ouvintes e se torna, em suas mentes, o coração e a essência da pista. Assim, faz mais sentido começar pela parte mais movimentada, mais completa da música. De lá, você pode trabalhar tanto para frente quanto para trás, ficando mais confortável sobre o quanto você pode tirar de cada parte para construir as seções de introdução e subida até o refrão. Se você começa pela intro, é bem provável que acabe adicionando mais elementos que o necessário e, assim, à medida em que a faixa vai progredindo, quando chegar no clímax do track, o que você terá é um amontoado de elementos sem sentido. Muitos dos problemas que as pessoas têm na fase de mixagem não estão relacionadas com mixagem em si, mas com a organização do espaço – são problemas de arranjo.

 

O poder dos vocais

Nunca subestime o poder de um vocal simples ou, até mesmo, de um sample ou trecho de vocal para animar uma track de música eletrônica. Até vocais curtos podem trazer uma quantidade surpreendente de humanização para uma faixa.

 

Use instrumentos incomuns

Se você não está satisfeito com os timbres que está usando ou está entediado, tente algo incomum. Você ainda pode usar sons que não são de instrumentos. Qualquer coisa que produza um tipo de som pode ser usada como base para um novo timbre.

 

Esteja ciente das expectativas do ouvinte, tanto para satisfazê-las quanto para desafiá-las

Têm vezes em que o melhor a se fazer é o óbvio – é o que a maioria das pessoas espera ouvir. Não tem nada de errado em jogar pelas regras do mercado, mas experimentar e fazer algo que não é imediatamente óbvio também funciona. Basta saber quando e onde cada situação se encaixa.

 

Repita seu gancho em instrumentos diferentes

Se você produziu um bom riff ou um gancho inteligente, usá-lo pelo menos duas ou três vezes vai ajudar a criar uma impressão de continuidade. Mas, para que o seu track não se torne chata, é necessário alternar a repetição com ideias novas. Quando você ouve seu arranjo, deve se perguntar se ele tem partes novas com frequência suficiente para estimular o interesse de quem ouve, ao mesmo tempo em que as melhores partes se repetem na quantidade certa para se fixarem na cabeça do ouvinte. Use seu gancho ou riff de mais de uma maneira. É uma técnica de arranjo clássica ter, por exemplo, a melodia vocal interpretada por instrumentos também. Isso funciona igualmente alternando o mesmo riff para um outro timbre de synth ou para outra seção da música. Essa mudança é tão eficaz quanto tocar uma seção completamente nova.

 

Deixe rolar: grave ao vivo, abrace os acidentes e o inesperado

Qualquer coisa aleatória deve ser incentivada, ao menos no começo. Música, basicamente, é sobre pessoas e suas reações, então você não pode querer o controle absoluto sobre tudo – e isso vale para as suas ferramentas de produção também. Tente encorajar o inesperado na hora de compor – 75% do que sair pode ser inútil, mas os 25% restantes podem ser inspiradores. Encare como uma jam session, sem um rumo definido –  isso pode te levar a ideias que você não teria pensado de forma lógica ou, ainda, que possam ser desenvolvidas depois. Não desanime se a maior parte do que vier for ruim – a parte boa, mesmo que menor, quase sempre compensa.

 

Saiba a forma dos arranjos e estrutura típicos da música eletrônica

Conheça o básico da música para que você possa, em seguida, subvertê-la e desafiar as expectativas, com uma estrutura própria e orgânica. Ou seja: aprender as regras, compreender como e porque elas funcionam, para que você possa saber quando efetivamente quebrá-las. Então, não há problema em pensar em seções de 8, 16 e 32 barras para começar. O erro consiste em manter essa estrutura rígida demais, mantendo os instrumentos em 16 barras, para depois passar tudo para as próximas 16, por exemplo. Para fazer uma música baseada em blocos que seja atraente é mais interessante abandonar a construção linear e se organizar em camadas, eliminando-as no sentido inverso depois do clímax ou, ainda, “matando” a maioria das camadas para revelar apenas uma única camada que contém o gancho. O motivo pelo qual isso funciona tão bem é que a técnica permite equilibrar os kicks e graves para uma sensação hipnótica, ao mesmo tempo que as camadas superiores trazem uma impressão de progressividade e desenvolvimento para a pista.

 

Certifique-se de que você tem uma grande base sonora para produzir antes de se deixar levar por FX e design de som

Não foque demais, ao menos no início, em como a gravação vai ficar. Muitas pessoas tendem a se fixar nisso, quando o melhor seria juntar as partes, antes de mais nada, e ver como elas soam musicalmente – design sonoro, efeitos e mixagem vêm depois. Fazendo isso e usando sons familiares para você, dá para construir rapidinho um arranjo e testar as suas ideias e, à medida em que os grooves e progressões de acordes vão surgindo, você vai substituindo os timbres originais por outros mais novos, mais fortes ou que sejam mais adequados ao resto do track.

Dá vontade de mexer em tudo, mas ainda não é a hora. Deixe isso pra outra fase

Busque abordagens diferentes para compor e arranjar

Se você está produzindo música eletrônica por um longo período, é fácil começar a se sentir travado e sem criatividade. Mudar constantemente seu método de trabalho é uma alternativa para enxergar a música através de um outro ponto de vista. Essa interrupção da monotonia geralmente resulta em momentos de inspiração e no desenvolvimento de novos truques e técnicas.

 

Algumas sugestões:

 

Método de loop – escreva uma melodia ou uma seção de bateria de 8 ou 16 tempos e, em seguida, adicione outros instrumentos nesse núcleo a cada vez que você reproduzir esse loop. Uma vez que você colocou elementos suficientes para sentir que chegou ao clímax de uma track, copie e cole o loop no comprimento de uma faixa e, então, comece a silenciar partes para criar variações no arranjo.

 

Método de amostra – reúna uma pequena seleção dos seus samples ou suas próprias gravações e tente montar um track usando só isso. Você achará a restrição desafiadora e, eventualmente, criará coisas legais que você talvez não faria se tivesse opções ilimitadas.

 

Método piano – tente criar uma faixa completa usando somente o timbre de piano. Uma vez que você conseguir uma boa progressão melódica, é hora de substituir o timbre de piano por synths, bateria e outros instrumentos, para só então seguir com efeitos, programação e processamento. Obrigar-se a começar uma música com base musical garante que ela não será dominada pelos efeitos e os resultados costumam ser mais compensadores.

 

Método jam ao vivo – comece com um loop básico de baixo e bateria, copiados durante uns dois minutos. Escolha um pacote de sintetizador e comece a improvisar até que consiga uma melodia ou acorde que você goste. Grave uma ou duas vezes, ouça de novo e separe o que você achar que tem potencial. Repita o processo, mas, dessa vez, focando no desenvolvimento das partes em potencial ou, ainda, use essas partes para desenvolver outras, da mesma forma que você começou. Evite processamento e efeitos logo de cara, para manter o fluxo do improviso e, só depois, pense nisso. Você perceberá como a sua abordagem inicial vai se modificando à medida em que as partes vão se desenvolvendo.

 

Método imersão musical – veja quantas faixas você pode produzir a partir do zero em um único dia. Isso faz maravilhas para desbloquear sua criatividade e forçá-lo a perder as tendências perfeccionistas que, muitas vezes, o impedem de finalizar boas ideias na sua produção musical.

As tacinhas são para você comemorar o seu novo track

Menos é mais: cinco peças ou menos a qualquer momento

Se você ouvir um monte de arranjos em qualquer estilo, vai perceber que a maioria deles não contém um grande número de peças. Cinco elementos de uma só vez, – com os kicks incluídos – geralmente, é o máximo que você vai ouvir e essa regra parece se estender além das fronteiras de gênero. Se jogar em camadas e mais camadas pode ser uma tremenda perda de tempo, já que há elementos demais para o cérebro notar, antes que tudo se transforme numa massa sonora disforme e o impacto individual das peças se perca. Dito isso, no entanto…

 

Adicione camadas ou duplique partes para dar mais pegada e caráter

Cinco partes não querem necessariamente dizer apenas cinco instrumentos. O caráter e a variação sonora podem ser compostos de vários elementos individuais cuidadosamente escolhidos, de forma que, embora todos ocupem sua própria faixa de frequência, cada um contribui a uma composição que é percebida no final como uma única peça musical. Se feito da forma correta, dois timbres podem formar um só, com mais peso e caráter.

 

Aprenda um pouco de teoria musical

Mesmo uma pequena quantidade de conhecimento de teoria musical pode melhorar e muito as suas produções de música eletrônica.

 

Não é chato nem científico e vai te ajudar a encontrar eventuais erros ou facilitar a análise do que está ou não funcionando no seu track.

 

Outra grande vantagem de saber alguma teoria é que você pode voltar para a parte técnica quando a inspiração pura e simples estiver em falta e, assim, manter os seus projetos fluindo. Assim, sua produtividade vai melhorar junto com a sua compreensão.

 

Já que chegou até aqui, por que não aproveita para dar uma olhada em nosso curso de Síntese Sonora? 😉 

Lindão, né? Então, você não precisa dele

Historicamente, não faz muito tempo que os softwares de produção musical tomaram conta do mercado. Mas, ao mesmo tempo em que trouxeram um mundo de possibilidades, a quantidade de informação e de opções aumentou tanto que é fácil ver por aí gente completamente perdida em suas produções.

A impressão geral é de que a criatividade está limitada pelo excesso de opções, e não pela falta. É fácil passar horas e horas tentando achar o kick perfeito, ou fazendo a compressão de um track. Basta dar uma olhada para trás e ver como era a produção musical há trinta anos atrás – haviam muito menos recursos, e, mesmo assim, muitos dos clássicos da música eletrônica foram feitos nesse período.

Independentemente de você fazer música há vários anos ou ser um iniciante é fácil ficar preso a um método. Você fica fazendo tudo o que sempre fez, da mesma maneira de sempre.

Isso é bom, mas se torna chato. Você começa a perder o aspecto desafiador da produção musical.

Para combater isso precisamos experimentar. Experimentação é o que gera criatividade.

Neste post, listamos algumas ideias que você pode usar para ser mais criativo. Elas podem até não aumentar sua capacidade criativa, mas vão forçá-lo a ser mais criativo durante o processo de composição. A chave aqui é fugir das regras.

Quando há menos opções, você deve pensar em maneiras criativas de contornar seus problemas de produção musical, ou simplesmente aceita-los e seguir adiante. A realidade é que você já tem o que precisa – sua criatividade – e não tem porque depender de um hardware ou de um plugin para fazer as coisas acontecerem. Três exemplos comuns de “travamento” que os produtores musicas encontram são:

 

  • Paralisia por escolha: Você já passou horas e horas testando cada preset dos seus plug-ins ou sintetizadores? Se sim, pare de perder tempo! Escolha um e siga em frente. É melhor ter uma música com sons não tão bons, mas que possam ser alterados depois, do que um amontoado de sons fantásticos, mas sem música.

 

  • Síndrome do equipamento: “Quando eu comprar o equipamento X, aí sim vou poder terminar o meu projeto”. A realidade é que você não precisa do equipamento X para completar sua produção musical. Existe um mundo de opções para você usar, e este é o tipo de limitação que você não precisa agora. Se você tem um computador que dê conta do trabalho e um bom DAW você está anos-luz à frente dos produtores de vinte ou trinta anos atrás.

 

  • Pesquisa e educação sem tudo isso em prática: Aqui, o importante é o constante equilíbrio, pois é muito fácil estudarmos e praticarmos alguma técnica para sempre, sem nunca colocarmos este conhecimento em prática. Então, após estudar intensivamente algum tópico aplique isso em uma música sua. Mais: nunca pense que o seu conhecimento não é suficiente para criar o que você quer. Pare de pensar assim.

 

Quando limitar é bom

Ao contrário do que costumamos imaginar, as limitações, quando bem colocadas, podem ser realmente úteis, especialmente quando queremos obter um resultado rápido. Ter alguma ideia de onde você quer chegar com a sua produção musical é muito melhor do que não ter ideia alguma. Como exemplo, sentar para escrever com um tema é mais produtivo que ficar esperando o tema aparecer na sua cabeça. Aqui estão algumas maneiras de se limitar para dar uma forcinha para a criatividade:

 

Decida o seu objetivo antes de começar

 Começar a produzir sem uma ideia definida é mais ou menos como pegar uma estrada sem um rumo certo – pode ser agradável, mas em algum momento você vai se perder ou ficar sem combustível. Definir um objetivo para a sua produção musical é como ligar o GPS: a viagem continua divertida, mas você sabe para onde está indo e em quanto tempo vai chegar no destino.

E um jeito legal de fazer isso é organizando a estrutura de seu track. Você pode pensar: “Mas como eu organizo algo que eu ainda não fiz? Eu não deveria ter ideias primeiro?

Essa é a parte divertida: não necessariamente. Aqui tem um exemplo:

Crie 3 a 5 espaços para os instrumentos no seu DAW (por exemplo, bateria, baixo, melodia, acordes);

Após, você cria clipes MIDI em branco para colocar, somente depois, os instrumentos, ou, ainda, os seus packs de samples.

Aí, você organiza esses clipes em frases, para esboçar a estrutura básica do track.

A melhor coisa sobre esse método é que ele exige que você pense no projeto como um todo, desde o início. Muitas vezes ficamos tão presos em um loop específico, ou algo do gênero, que nos esquecemos de fazer uma música completa.

 

Defina limites de tempo para a sua produção musical

Já jogou xadrez assim? A ideia é mais ou menos essa

 

Quando você tem um prazo para cumprir, você se concentra apenas nas tarefas que são importantes para a conclusão do trabalho. Não existe exemplo melhor do que aquele trabalho da faculdade que você virou a noite fazendo, para entregar a tempo. Esse é o poder limitador do tempo – e ele pode te ajudar. Então, estabeleça um prazo para terminar a sua nova produção musical.

Você pode, por exemplo, se impor um limite de uma hora para fazer um track. Uma das principais razões pelas quais os produtores não terminam uma música é porque eles nunca definem um prazo. Não há pressão real para que eles terminem. Eles podem até achar que precisam terminar, podem querer terminar, mas, lá no fundo, eles sabem que, se não terminarem, a vida continua normalmente.

Assim, sempre que atingem um momento desafiador no processo de criação musical, eles desistem e passam para um novo projeto.

Dar a si mesmo um tempo determinado para fazer algo te obriga a agir em vez de pensar. Quando você tem 60 minutos para fazer uma música você não tem tempo para brincar. Você não tem tempo para pensar se deve ou não usar um kick diferente e, se for o caso, basta consertá-lo mais tarde.

 

Limite suas opções de softwares e equipamentos

Acredite, no começo você não vai precisar de muito mais que isso

 A maioria de nós tem o péssimo hábito de amontoar um monte de efeitos, plug-ins e instrumentos virtuais antes mesmo de saber o que fazer com eles. Ao invés disso, permita-se usar só um kit de bateria, um pacote de samples e um ou dois sintetizadores. Isso vai forçá-lo a continuar e não ficar preso tentando achar os sons perfeitos – lembre-se de que você sempre pode consertar isso depois.

Um jeito simples de fazer isso é limitar os seus instrumentos.

É natural supor que quanto mais opções tivermos, mais criativos seremos, mas isso, quase sempre, leva a ajustes intermináveis, em vez de criar música real. Então, uma das melhores maneiras de ser criativo é impor severas limitações a nós mesmos.

Se forçar a trabalhar com um número definido de instrumentos é uma ótima maneira de ser criativo. Isso faz com que você mude o seu jeito de pensar: como posso reforçar este som sem adicionar uma nova camada? Quais efeitos posso usar para tornar essa seção de bateria mais interessante se ela é apenas um kick e um chimbal?

Limite-se a apenas cinco instrumentos. Neste caso, a bateria não conta como um instrumento, mas apenas algumas peças dela, por exemplo:

Kick

Hat

Clap

Baixo

Piano

São apenas cinco instrumentos.

Para alguns de vocês, isso pode parecer ridículo e até impossível de se fazer. Isso significa que, na realidade, você precisa se esforçar mais do que nunca.

 

Se obrigue a pensar diferente

Outro fator comum de travamento na hora de produzir é ficar com aquela ideia rodando na cabeça e não sair dela. Mas existem maneiras de fugir disso, como essas ideias aqui:

 

A dica fora da curva na produção musical: Use sons que você odeia

Pode ser aquele seu vizinho chato roncando também. Seja criativo!

 

É fácil vasculhar pacotes de samples e encontrar sons que se encaixam perfeitamente com as suas produções, e você deve fazer isso ao criar novos tracks. Nós sempre vamos preferir usar material de qualidade, e com o qual nos identificamos musicalmente.

Para ser criativo, porém, não há nada como um desafio. Por que não usar um som que você odeia? Pode ser um preset, um sample de bateria e até uma frase vocal. Encontre esse som, analise-o por um momento e, em seguida, tente descobrir como fazê-lo funcionar com o resto da sua faixa.

Mas você não precisa fazer isso com todos os seus projetos. Trate a ideia como um tipo de exercício, como uma prática para melhorar seu raciocínio e criatividade.

 

Trabalhe em um ritmo diferente

Não importa se você é um purista do trance ou um produtor de progressive house que nunca muda o BPM, considere criar músicas em um ritmo diferente.

Você pode fazer trance em 110BPM, assim como você pode fazer um house progressivo em 132BPM, por exemplo. Alterar e alternar o ritmo, muitas vezes, gera ideias e sons diferentes. Mais do que isso: é muito divertido! De novo, a ideia, aqui, é reforçar a criatividade e explorar outras possibilidades, é mais um exercício do que qualquer outra coisa.

Crie uma música com um pack de samples – ou não

 A maioria dos produtores de música eletrônica terá um número infinito de pack de samples, mas usam sempre os mesmos timbres e efeitos na maior parte das vezes.

Por que não tentar criar uma música inteira a partir de um único pack de samples? Fazer isso não apenas fará com que sua música soe mais coesa, mas, também, diminuirá a quantidade de escolhas que você terá que fazer ao escolher os samples.

Nesse caso, quanto menor o pacote de samples, melhor. Evite usar kits de construção, linhas de baixo pré-fabricadas e loops melódicos. Dê preferência para one-shots e FX.

Ah, mas você já faz isso? Então, inverta a lógica e faça os seus tracks do zero, criando seus próprios timbres e samples, e esqueça os packs. Tudo o que fizer você sair da zona de conforto é válido.

 

Misture os gêneros

 Misturar gêneros é uma excelente maneira de exercitar a criatividade. Você gosta de produzir house? Então, que tal usar uns baixos sujos de Drum’n’Bass nele? Prefere trance? Por que não experimentar uns timbres de dubstep no track? Este é um processo um pouco mais complexo, mas que pode render bons resultados. Arrisque-se!

 

Por último, mas fundamental: disciplina é mais importante que inspiração

 E o motivo é bem simples: estabelecer uma rotina de produção elimina, de uma vez por todas, o desgaste de ter que começar do zero algumas partes do processo, toda vez que você for produzir. É mais ou menos como começar a fazer exercício. Você pode até achar chato no começo, mas depois de um tempo fica se perguntando porque não começou antes – e, como no exercício, você só melhora mais e mais, a cada dia.

 E quando você perceber, ficou tão divertido produzir que você não para mais.

Para isso, facilite as coisas pra você mesmo:

Tire um horário do dia, ou um dia específico da semana, para isso e não faça outra coisa nesse tempo. Isso inclui deixar o celular e a internet de lado, por algumas horas. Você vai se surpreender com o salto na qualidade das suas produções.

 Deixe todo o seu equipo pronto para uso a qualquer momento. Isso evita que você adie o trabalho e é um poderoso gatilho mental.

Anote suas ideias. Crie o hábito de usar um bloco de notas. Use um app no celular ou mande mensagens de áudio pra você mesmo. O que importa, aqui, é não perder nenhuma ideia, e tê-las à mão na hora que precisar.

Ser criativo é difícil e, na maioria das vezes, você é seu maior inimigo na hora de produzir. Tomar decisões é desgastante, então, faça um favor a si mesmo e limite suas opções. É mais fácil escolher entre duas ou três opções do que entre duzentas, ou três mil. Limite suas escolhas e sua criatividade vai aumentar, assim como a sua quantidade de produções finalizadas.

E aí? O que você faz para ser mais criativo?