Para quem está começando no mundo da discotecagem, algumas coisas relativamente simples, como pesquisar novas músicas, organizar sua coleção de música digital e até mesmo saber se aquele track incrível que você baixou está com qualidade suficiente pode parecer complicado. Então, resolvemos separar essas 3 dicas que são fundamentais para DJs iniciantes. Bora?
Como descobrir novos tracks
Você está em uma festa, o DJ toca uma música incrível, que você nunca ouviu antes. Em uma época em que todos querem faixas novas e emocionantes, como descobrir o que está tocando sem ser inconveniente?
O ato de esconder faixas é altamente controverso na cena do DJ, e existe desde o começo da discotecagem moderna. No livro “Last Night A DJ Saved My Life”, Bill Brewster e Frank Brougbton relatam as primeiras tentativas de esconder os nomes das tracks, graças ao aumento da concorrência entre DJs.
A verdade é que hoje não há motivo para que isso aconteça – embora o Shazam seja um dos principais “culpados” pelo fim desse ciclo, também é real o fato de que isso só demonstra certa falta de maturidade de alguns DJs iniciantes. A não ser que o remix ou edit seja seu, ou a faixa seja de sua autoria, não compartilhá-la é basicamente um problema de ego. Pensando melhor, nem isso justifica. Então saiba o que você pode e não pode fazer para descobrir qual música o DJ estava tocando.
Dando uma olhada na cabine do DJ
Definitivamente, não. Todo DJ já experimentou a sensação de ter alguém se aproximando demais da cabine para tentar ver qual música está tocando. Pode até ser uma maneira de descobrir o nome da track, mas nenhum DJ quer um estranho chegando perto o suficiente do equipamento a ponto de poder derramar bebida ou mesmo desligar algo. A única exceção é se você conhece pessoalmente o DJ e sabe que ele não se importará se você der uma olhada. Mesmo assim, ainda é mais fácil se você…
Perguntar ao DJ
Se você de fato não consegue ficar sem saber que música é aquela (e o Shazam não achou), educadamente peça licença, e pergunte para o DJ que track é aquela. Seja sincero quanto ao fato de ter gostado da música e peça o nome – algo como “Parabéns pela escolha, essa track é realmente muito boa, adorei! De quem é?” Se o DJ fizer questão de esconder a faixa, ao menos você talvez consiga o nome do artista ou do selo, o que já é meio caminho andado. Elogiar a música ou o set faz com que o DJ não ache que você está ali só para ficar “pescando” tracks e está de fato curtindo o som.
Outra boa maneira de fazer isso é perguntar para o DJ em uma rede social, tipo “Ótimo set ontem, fulano! Que faixa era aquela com vocais femininos e a letra tal?” Alguns irão te responder, outros não – mas é uma possibilidade.
Tem algo bem importante aqui: Não faça isso com frequência. Se for pessoalmente, não pergunte mais do que uma única vez na noite, e não fique enchendo a timeline de ninguém com pedidos de nomes de música.
Shazam, Kuvo e 1001 Tracklists
Se você não foi abduzido por alienígenas e passou os últimos anos fora da Terra, você já sabe o que é e como funciona o Shazam. No entanto, ele nem sempre acha o que o DJ está tocando. Nesse momento, vale buscar as alternativas.
O Kuvo é uma plataforma online da Pioneer que dá em tempo real as playlists dos DJs cadastrados, transmitindo os nomes via wifi para o seu perfil – isso se o DJ permitir e se o club tiver o equipamento que faz a transmissão – no Brasil ele é praticamente inexistente. Mas, existem DJs que não se incomodam de compartillhar suas playlists na plataforma.
A outra opção é o site 1001 Tracklists, uma plataforma colaborativa onde os participantes ajudam a identificar cada track que um DJ tocou em um determinado evento. É uma grande fonte de boas tracks novas – e você pode ajudar também.
Ouvir sets parecidos
Essa dica é bem válida para os DJs Iniciantes. Se você ouve artistas que tocam com bastante frequência. Em geral, seus sets já estão disponíveis em plataformas como o Soundcloud por exemplo, ou são modificados aos poucos, o que aumenta as chances de você achar aquela track que te tira o sono.
Como organizar sua coleção de MP3 rapidamente
É impossível negar que o MP3 e quase todos os outros formatos de áudio digital trouxeram uma enorme conveniência para os DJs – enfim, não é mais necessário carregar cases enormes de vinil ou CDs, e um dispositivo pequeno como um HD externo ou um pen drive são capazes de suportar uma coleção de tracks para uma vida toda de discotecagem.
Por ironia, é justamente essa conveniência que traz um outro problema bem conhecido dos DJs que tocam com MP3: a organização da sua coleção digital. Que atire o primeiro HD aquele que nunca deixou uma pasta no desktop acumulando faixas até que tudo vire um amontoado de músicas sem sentido.
Quantas vezes você já achou tracks perdidas, que você nem lembra mais porque comprou? Ou melhor: quantas vezes você encontrou várias cópias do mesmo MP3 em pastas diferentes no seu computador? Então, amigo DJ, essa dica vem para te ajudar a manter a sua coleção de MP3 arrumadinha (ou quase).
Saiba desapegar
Nosso gosto como DJ muda com o tempo, e aquele MP3 que você achou incrível quando começou a tocar hoje pode não despertar mais a mesma paixão. Então vale a pena se perguntar: “eu ainda gosto mesmo dessa música”? Se a resposta imediata for não, apague sem pensar.
Ficou em dúvida? Veja quando foi a última vez que você ouviu a track, ou, se estiver usando o iTunes, veja a contagem de plays desse MP3. Isso vai te ajudar a decidir. O importante aqui é não se apegar demais, e você sempre pode armazenar isso em um HD externo – daqui a pouco falaremos mais sobre isso.
Separe para depois organizar
Cada DJ tem a sua maneira de organizar seus MP3, e não existe um jeito certo ou melhor – a melhor maneira é aquela que funciona para você. Mas tem que haver alguma organização para que as coisas fiquem mais fáceis. Se você tem aquela pasta genérica entupida de tracks, a primeira coisa é separá-las. Não em gênero e subgênero, mas em coisas mais simples, como a função delas: uma pasta EVENTOS, por exemplo, para aquelas tracks que você não ouve, mas que são úteis de tempo em tempo. Você pode criar outras, como uma pasta TALVEZ para colocar os MP3 que você não decidiu ainda jogar fora, ou que não sabe se vai usar de imediato ou não – lembre-se, o foco aqui é deixar as coisas organizadas para agilizar na hora de tocar. Crie quantas dessas pastas você achar necessário.
Conseguiu? Ótimo, hora do próximo passo: o que fica no computador e o que vai para o HD externo, ou pro lixo.
Devagar e sempre
Mais importante que arrumar tudo de uma vez só, é arrumar. Então, mesmo que você só organize uma playlist de MP3 ou uma pasta por vez, o principal é manter o hábito. Como DJ, você tem que saber onde cada track se encontra, para poder achá-la rapidamente. Comprometa-se a organizar suas músicas de tempo em tempo. Se for o caso, guarde um horário da semana só para isso – você vai se agradecer depois. Deixe as pastas mais utilizadas no seu computador, e passe as outras para o seu HD externo. Quando precisar, é só puxá-las de volta para o computador.
Não seja um acumulador
Jogar fora música que você já não gosta ou ouve mais, ou que não servem a mais nenhum propósito não é uma coisa ruim. A ideia é manter o foco naquilo que realmente interessa – nas tracks que te representam como DJ, e na melhor seleção possível. Isso é uma maneira de você se manter conectado apenas com as músicas que você realmente ama, e evitar as distrações.
Por último, mas não menos importante, a resposta para aquela pergunta que todo iniciante faz: “Mas por que não posso ripar música do YouTube?”
As respostas são duas: porque é ilegal, e porque a qualidade fica BEM ruim. Nas duas hipóteses, a única coisa que você realmente consegue é queimar o seu filme como DJ. A gente explica melhor, acompanhe:
Descomplicando os formatos digitais de áudio
Desde que surgiram os softwares e controladores para DJs, existe a polêmica: afinal, existe mesmo diferença de qualidade entre arquivos digitais de música?
Embora para a maioria dos DJs profissionais esse assunto já esteja encerrado – ou, ao menos, deveria estar – a diferença entre os formatos e sua respectiva qualidade ainda é uma dúvida bastante comum entre alunos e DJs iniciantes. Então, sem muita firula, vamos explicar um pouco sobre as diferenças, e porque ripar música do YouTube definitivamente não é um jeito legal de se obter boas tracks.
Arquivos sem e com perda de áudio
Um arquivo digital de áudio não é exatamente como uma gravação analógica – na verdade, ele é uma série de dados em linguagem binária – os zeros e uns que o computador entende – que são traduzidos em música por um software. Assim, como em qualquer tipo de arquivo digital, existe a possibilidade de se compactar para economizar espaço. É mais ou menos como você zipar um texto ou imagem para mandar para alguém.
Você já deve ter percebido que o principal fator para se compactar um arquivo de áudio é a economia de espaço. Um arquivo .WAV, por exemplo, ocupa mais ou menos 10Mb por minuto – então, uma lista de 10 tracks com 5 minutos cada pode ocupar facilmente 500Mb. Não é um espaço desprezível.
Mas alguns tipos de compactação podem remover algumas partes da informação – e a consequência óbvia é a perda de qualidade de som. Antes que você resolva jogar seu HD externo pela janela, saiba que alguns formatos de compactação mantêm todos os dados, e assim a qualidade do áudio permanece intacta. Os formatos mais comuns sem compactação são:
- .WAV (Windows)
- .AIFF (Mac OS)
- .PCM (é o formato usado em CDs)
Depois, vêm os formatos chamados Lossless, que são comprimidos, mas sem perder as qualidades do formato sem compactação. Em geral, esses arquivos podem ser descompactados em um formato sem compressão, como os descritos acima. Da mesma forma, existem inúmeros tipos, mas quase sempre, você vai trabalhar com:
- .FLAC
- .ALAC (Apple Lossless)
Por fim, temos os arquivos do tipo Lossy, cuja compactação remove algumas partes da informação para diminuir o tamanho do arquivo, e isso também diminui a qualidade do áudio. E o formato mais popular de áudio digital é Lossy – sim, MP3, estamos falando de você. Mas calma, o AAC, da Apple, também faz parte da lista.
E a polêmica em torno dos arquivos digitais Lossy gira em torno de uma palavrinha complicada: o bitrate. Em áudio, bitrate éa quantidade de informação digital (os zeros e uns) armazenada em uma determinada quantidade de tempo. Ele depende de uma série de fatores, como o tipo de compressão utilizado ou a taxa de amostragem da compressão. Simplificando, quanto menor o bitrate (o famoso KBPS), menor o tamanho do arquivo, e por consequência, menor a qualidade do áudio.
Para que você entenda melhor, o MP3 é um codec de áudio que compacta o arquivo removendo os picos altos e baixos de todas as frequências. Assim, um arquivo em 192 KBPS pode soar super bem no som do seu carro ou no seu MP3 player, mas é só. No entanto, uma track em 320 KBPS já possui uma qualidade bem próxima à de arquivos Lossless. Por isso, se adotou esse bitrate como padrão para discotecagem.
A versão digital da briga Vinil X CD
Esse é o tipo de discussão que não leva a lugar nenhum, portanto não vamos nos estender no assunto – há quem defenda que os formatos sem compactação soam melhor em um equipamento de som profissional, enquanto outros afirmam que não há diferença perceptível para o ouvido humano entre um MP3 em 320 KBPS e um arquivo FLAC ou WAV. Como na briga entre vinil e CD, isso é pessoal e não existe um consenso.
Reencodamento: a falsificação da qualidade do áudio
Você já deve ter visto por aí banners ou imagens na internet que ficam granuladas ou distorcidas, como se tivessem sido esticadas. Isso normalmente aparece quando a imagem tem uma resolução baixa, que não permite a edição. O resultado dificilmente fica bom.
Com áudio digital é a mesma coisa. Uma vez que você conseguiu um arquivo em 192 KBPS, reencodá-lo para 320 pode não só não surtir efeito nenhum, mas piorar a qualidade do áudio. Esse também é o motivo de arquivos de áudio ripados de rádios online ou do YouTube serem tão ruins – em geral, eles são codificados a 128 KBPS. Uma boa maneira de verificar se um MP3 tem mesmo 320 KBPS é pelo seu tamanho – se a track tem 5 minutos, mas o arquivo tem 4 ou 5 Mb, certamente é furada. Além disso, tenha em mente que ripar áudio do YouTube ou de sites é pirataria.
A qualidade do seu trabalho como DJ não se resume apenas à técnica ou repertório – isso vale também para a qualidade da música que você apresenta. Já que você investiu tempo e dinheiro fazendo um curso e em equipamentos, por que não fazer isso com sua discoteca digital também?
O que você faz para descobrir novas faixas, ou organizar melhor sua coleção de música digital?