35 dicas para subir o nível da sua produção musical

Você, sem nem saber de produção musical, conhece bem a sensação de ouvir um track de música eletrônica bem produzida: cada um dos seus elementos parece transbordar energia e a música parece envolver toda a pista, dando a impressão de que ela é um organismo vivo.

Mas, para quem quer se tornar um produtor de música eletrônica, as coisas podem não ser tão fáceis quanto parecem, ao menos no começo. Parece que apenas saber a estrutura de uma música e agrupar os elementos, loops, synths e efeitos é o suficiente. O resultado é que o seu track acaba sem a energia e a dramaticidade que você esperava.

A boa notícia é que, com um pouco de estudo e informação, você pode facilmente se tornar um bom produtor.

 

Há uma série de truques que você pode usar para construir seus tracks e fazer com que elas pareçam vivas, com um poder próprio. Nenhuma das dicas a seguir é muito difícil de se implementar por conta própria, mas garantimos que um curso de produção de música eletrônica vai fazer com que você saiba onde e quando aplicá-las da melhor maneira possível. Assim, você trará o dinamismo e o senso de urgência que um bom track deve ter para o seu som. Boa leitura!

 

Seis dicas para quem está começando na Produção Musical

Se você está começando na produção de música eletrônica, é normal que passe batido por alguns pontos importantes no processo. Para dar aquela forcinha básica, separamos essas primeiras dicas para você. Vamos lá?

 

Bastam alguns poucos equipos e muita vontade, o resto vem com a prática

 

  1. Saiba mais sobre técnicas de compressão

Um erro comum, mas que impede amadores de obter um som “cheio”, e completo, é que quanto mais sons são unidos em uma track, mais aumentam as chances das frequências cliparem. Assim, você baixa cada canal, e tudo volta ao normal, certo? Não exatamente. Para corrigir isso, você precisa aprender sobre compressão e mixagem. Se usada corretamente, a compressão reduz as variações entre os níveis de ganho de um canal de áudio, o que permite que você aumente o volume geral da faixa sem cortes na sua produção musical.

 

  1. Reduza o ruído desnecessário com a EQ

Remover frequências abaixo de 30-40Hz em elementos da sua track é uma boa ideia. Além delas não acrescentarem nada à sua mix, ela vai ajudar a entupir ainda mais o track. Então, muito cuidado com as frequências – evite usar muitos sons graves juntos, por exemplo. As frequências vão se misturar e criar um som estranho. Aprenda a usar o analisador de espectro da sua DAW.

 

  1. Cuidado com os presets

Na produção musical, Presets são uma grande ajuda não só para quem está iniciando na produção de música eletrônica, mas para profissionais também. No entanto, muitos plug-ins VST são projetados para terem um excelente resultado se usados em separado, mas podem criar problemas quando usados em conjunto com outros plug-ins. A menos que você consiga identificar e corrigir as frequências conflitantes, usar muitos presets pode resultar em um som abafado.

 

  1. Não se afunde no Reverb

Um erro comum entre os novatos em produção é usar muito processamento nos efeitos. Embora isso possa produzir resultados criativos, seu uso excessivo pode acabar com o seu track. O Reverb é um efeito que é usado abusivamente por iniciantes. Você estará fazendo a coisa certa se baixar o Reverb até que não note mais sua presença, ou melhor ainda, quando mostrar o track para alguém e essa pessoa só notar a ausência do efeito quando você removê-lo, sem que ela tivesse percebido antes.

 

  1. Esteja ciente de que está usando demais o Limiter

Apesar do Limiter ser uma ferramenta valiosa, um novato quase sempre irá abusar do recurso – e a culpa disso é a exigência de faixas cada vez mais altas. No entanto, o excesso de Limiter deixa o som sem dinâmica, sem graves e agudos claros. Pode até ficar alto, mas vai soar muito pouco natural. Aprenda a alcançar um equilíbrio entre volume e faixa dinâmica.

 

  1. Não fique preso no loop

Loops se tornaram parte importante da produção de música eletrônica, e não há dúvida que algumas grandes faixas formam compostas dessa forma. No entanto, o uso excessivo do loop pode tornar uma faixa sem graça. Se você quer usar o mesmo sample várias vezes, aprenda a modificá-lo, para obter variações e manter o seu ouvinte interessado na música.

 

Curtiu as dicas? Então se liga nas próximas – elas são úteis tanto para amadores quanto para quem já produz há algum tempo. Bora lá!

 

Ser um profissa como o Hawtin leva tempo, mas não é impossível

 

Desligue o sync do Delay e do Reverb

Experimente desligar a sincronização de tempo do seu Delay e tente brincar com tempos maiores de Reverb antes do Delay. Programar esses efeitos manualmente pode trazer uma diferença de tempo sutil que é surpreendentemente eficaz para deixar o groove mais solto e dar um toque mais humano aos seus tracks.

 

Use loops de percussão com groove para soltar sua batida principal

Esse é um truque clássico e que sempre funciona. Loops de percussão randômicos transformam instantaneamente qualquer batida reta ou seca demais. Experimente vários loops de percussão diferentes, combine-os, recorte-os, enfim, brinque bastante com eles. Isso estimula a sua criatividade e faz com que várias ideias para novos tracks apareçam.

 

Sampleie grooves e padrões das suas tracks preferidas

Recorte as suas baterias preferidas e grooves e as use para criar seus próprios templates. Você pode fazer isso com o seu software de produção ou, ainda, alinhar o seu próprio MIDI em um canal “vizinho” ao sample, adicionando sua própria informação de velocidade, se necessário. Isso demanda um pouco mais de prática, já que você tem que saber exatamente onde começa cada toque dos instrumentos contidos no sample. Mas, assim que você pegar o jeito, isso se torna um processo mais simples.

 

Programe as partes de instrumentos sampleados como se estivessem sendo tocados de verdade

Instrumentos reais têm limitações que podem ser úteis para dar mais realismo aos seus samples programados. Para dar um exemplo básico, um baterista só tem dois pés e mãos, então, se ele está tocando um prato no começo de uma nova frase, ele provavelmente não vai tocar um chimbal, tom ou outra parte da percussão durante esse movimento. Incorporar essas sutilezas fazem uma diferença surpreendente na hora de dar um toque natural às suas programações, mesmo na música eletrônica, em que esse realismo não é exatamente necessário.

 

Use samples randômicos na sua produção musical 

Você pode configurar uma pequena quantidade de samples diferentes para serem selecionados de forma aleatória a cada vez que uma nota específica for acionada – por exemplo, 8 timbres ligeiramente diferentes de caixa. Isso evita que cada toque de caixa seja exatamente o mesmo a cada loop. Mesmo que pequenas, essas diferenças têm um profundo efeito sobre o resultado final, especialmente se você estiver programando baterias e preenchimentos.

A gente também quer ser o Detroit Swindle quando crescer. Foto: Red Bull

Deixe a preguiça de lado: faça variações dos seus loops

Só porque a percussão em uma música eletrônica é montada em loops, isso não significa que tem que ser o mesmo loop curto durante todo o track. Resista à tentação de criar um loop curto de 2 tempos e repeti-lo na música inteira. Ao invés disso, grave variações do loop usando o mesmo kit de bateria ou percussão. Cada versão que você gravar terá diferenças em relação ao tempo ou dinâmica, e isso traz a mesma sensação de música tocada “ao vivo” de uma bateria real.

 

Construa melodias através do contraponto

Ouça suas músicas preferidas e vai perceber como qualquer parte isolada dela é simples. Normalmente, a mágica acontece pela interação entre as partes e instrumentos. A soma de todas essas partes que interagem cria uma nova frase musical completa – isso é o contraponto. Ao invés de criar melodias complexas com um único instrumento, mantenha suas linhas de synth, baixo e bateria mais simples e “quebre-os” para expressar os diferentes elementos da frase musical através de vários instrumentos ou sons. Vai parecer mais fluído e envolvente.

 

Use a síncope rítmica para dar tensão aos seus beats

Síncope é para bateria e percussão mais ou menos a mesma coisa que o contraponto é para a parte melódica. Sempre planeje com cuidado a interação entre seus elementos rítmicos – ela é extremamente importante na produção de música eletrônica. Em um compasso 4/4, o interesse é gerado, normalmente, quando se cria uma dinâmica em torno do bumbo-caixa. Para dar mais vida às suas linhas de bateria, tente contrastar os outros elementos que estão em volta da batida principal. Atrasar ou adiantar em pequenos intervalos as batidas secundárias cria uma deliciosa sensação de tensão e urgência no seu track.

 

Use músicos para tocar sobre partes programadas

Isso é um truque bastante comum entre produtores de trilhas sonoras ou compositores de orquestra com um orçamento limitado. Eles usam bibliotecas de samples para grandes partes de orquestra, mas contratam alguns músicos para tocar em algumas partes. Você pode aplicar o mesmo método em suas produções também, adicionando uma camada de performance ao vivo em cima de uma frase ou um filtro automatizado manualmente em uma seção de synths ou pads muito “dura”.

 

Use elementos para antecipar a tensão no ouvinte

Criar uma estrutura e arranjo interessantes para uma plateia em uma track é como contar uma história: você precisa desenvolver uma narrativa em que os elementos tenham emoção suficiente, mas não a ponto de deixá-lo encurralado em sua própria música, sem espaço para deixar que a música progrida. Lembre-se de que você tem todo o espaço da sua produção musical para colocar as partes matadoras, efeitos e ganchos, então não amontoe tudo na primeira seção. Pense nas suas melhores partes da sua composição como uma moeda – gaste com sabedoria, apenas nos pontos do track em que você terá o máximo impacto sobre a sua audiência.

Menos é mais: regra de ouro na produção musical

Aprenda os efeitos psicoacústicos das frequências

Há uma interessante relação entre a percepção do nível de excitação em torno de uma parte específica de uma faixa e quantas ou quais faixas de frequência estão sendo preenchidas naquele momento. Por exemplo, pense no que acontece em uma pista quando se corta a bateria e sobra apenas um synth pesadão, subindo: as pessoas instintivamente param de dançar, e jogam as mãos para cima. Elas não pensam a respeito, mas sabem que é um break. Por outro lado, se você tira o synth e solta apenas uma bateria ou um groove de baixo, as pessoas tendem a dançar de novo. Pense em enfatizar – ou não enfatizar – alguns trechos específicos do seu track, usando as frequências.

 

Master alto, dinâmica baixa

Não tem porque haver alguma relação entre o nível em que um elemento é colocado no seu track e o nível em que esse elemento foi originalmente gravado. Por exemplo, você pode pegar um vocal gritado e colocá-lo na sua faixa em um volume baixo junto com os outros vocais – ele ainda vai soar como um grito, mas por estar mais baixo que os outros elementos, pode gerar profundidade e interesse no seu track. Da mesma forma, um sussurro aplicado bem alto na mix continua sendo um sussurro, mas muito mais intenso, devido ao volume com que foi aplicado. Essa técnica pode ser aplicada a qualquer instrumento e aumenta muito a tensão e a atmosfera de um track.

 

Ouça, ouça, ouça: analise e desconstrua suas músicas favoritas

Voltamos a dizer: não há absolutamente nenhum substituto para a experiência. Por isso, analise cuidadosamente os arranjos das suas track favoritas. Ouça o que os outros produtores têm feito e porquê aquilo funciona (ou não, se for o caso). Quanto mais você ouve, mais fácil fica de entender os detalhes que fazem a diferença. Vale tudo: puxar um MP3 da faixa para o seu software de produção e picá-lo, ou usar marcadores no começo de cada seção. Observe como os elementos aparecem em cada parte, e, eventualmente, você terá uma ideia de como o produtor daquela faixa pensou na construção dela. É mais ou menos como desmontar um motor e ver como as peças se encaixam.

 

Cruzamento de dados: ouça mais do que os seus gêneros preferidos

Os melhores produtores de música eletrônica são musicologistas. Eles não fazem distinção entre gêneros ou estilos, apenas dividem a música em boa ou ruim. Assim, olhe além do seu gênero preferido para se inspirar. Então, se você está fazendo produção musical eletrônica, bem reta, pode ser legal ouvir música clássica ou rock para entender as diferenças entre as estruturas de cada estilo e, assim, obter uma inspiração diferente. É interessante perceber, por exemplo, que no metal a música muitas vezes para, volta e para de novo, apenas para criar expectativa. Mantenha seus ouvintes surpresos e eles continuarão engajados na sua música. Há muito a ser aprendido na música clássica. É difícil especificar apenas um ponto que você pode aprender ouvindo música clássica, mas só o fato de você estar em contato com uma imensa gama de compositores pode trazer uma plenitude de ideias no que diz respeito a novas texturas e combinações instrumentais – sem contar a quantidade de samples que você pode obter daí.

 

Se uma parte não funciona, não perca tempo – jogue fora e vá adiante

Isso é muito mais difícil de fazer do que parece. Mas mantenha o seu ritmo e não tenha medo de jogar seu trabalho fora, até que só fiquem as partes realmente boas. A grande sacada aqui é se mover rapidamente entre as peças do seu trabalho. Essa agilidade mantém um frescor, mas ele pode se perder facilmente se você tentar fazer tudo perfeito demais. Apenas tenha a segurança de que cada parte do seu som tem o peso que você quer. Lembre-se, menos é mais.

Ficar uma semana ou um mês preso aqui é fácil. Desapegue e siga em frente

Mantenha o tempo certo

A maioria dos gêneros de música eletrônica tem tempos específicos, em que trabalham melhor – House entre 120 e 125 bpm, Dubstep em torno de 140, Drum & Bass em 170 ou 180 bpm. Se você quer produzir um tipo específico de música eletrônica, faz sentido saber quais os tempos desse estilo para que os DJs possam mixar o seu track com outras do mesmo tipo. Uma vez que você assimilou isso, você pode experimentar algumas variações de bpm dentro do limite do estilo. Assim, você irá descobrir o que se encaixa melhor com o seu track. Outra coisa legal sobre tempos musicais é que é cada vez mais aceitável brincar com eles em um determinado trecho da música, aumentando ou diminuindo o tempo antes de um refrão, por exemplo.

 

Comece pelo meio para uma produção mais “limpa”

Normalmente, as partes mais importantes de uma música são a introdução e o refrão. A introdução define o humor e o sentido da canção, enquanto o refrão é a seção que “gruda” na cabeça dos ouvintes e se torna, em suas mentes, o coração e a essência da pista. Assim, faz mais sentido começar pela parte mais movimentada, mais completa da música. De lá, você pode trabalhar tanto para frente quanto para trás, ficando mais confortável sobre o quanto você pode tirar de cada parte para construir as seções de introdução e subida até o refrão. Se você começa pela intro, é bem provável que acabe adicionando mais elementos que o necessário e, assim, à medida em que a faixa vai progredindo, quando chegar no clímax do track, o que você terá é um amontoado de elementos sem sentido. Muitos dos problemas que as pessoas têm na fase de mixagem não estão relacionadas com mixagem em si, mas com a organização do espaço – são problemas de arranjo.

 

O poder dos vocais

Nunca subestime o poder de um vocal simples ou, até mesmo, de um sample ou trecho de vocal para animar uma track de música eletrônica. Até vocais curtos podem trazer uma quantidade surpreendente de humanização para uma faixa.

 

Use instrumentos incomuns

Se você não está satisfeito com os timbres que está usando ou está entediado, tente algo incomum. Você ainda pode usar sons que não são de instrumentos. Qualquer coisa que produza um tipo de som pode ser usada como base para um novo timbre.

 

Esteja ciente das expectativas do ouvinte, tanto para satisfazê-las quanto para desafiá-las

Têm vezes em que o melhor a se fazer é o óbvio – é o que a maioria das pessoas espera ouvir. Não tem nada de errado em jogar pelas regras do mercado, mas experimentar e fazer algo que não é imediatamente óbvio também funciona. Basta saber quando e onde cada situação se encaixa.

 

Repita seu gancho em instrumentos diferentes

Se você produziu um bom riff ou um gancho inteligente, usá-lo pelo menos duas ou três vezes vai ajudar a criar uma impressão de continuidade. Mas, para que o seu track não se torne chata, é necessário alternar a repetição com ideias novas. Quando você ouve seu arranjo, deve se perguntar se ele tem partes novas com frequência suficiente para estimular o interesse de quem ouve, ao mesmo tempo em que as melhores partes se repetem na quantidade certa para se fixarem na cabeça do ouvinte. Use seu gancho ou riff de mais de uma maneira. É uma técnica de arranjo clássica ter, por exemplo, a melodia vocal interpretada por instrumentos também. Isso funciona igualmente alternando o mesmo riff para um outro timbre de synth ou para outra seção da música. Essa mudança é tão eficaz quanto tocar uma seção completamente nova.

 

Deixe rolar: grave ao vivo, abrace os acidentes e o inesperado

Qualquer coisa aleatória deve ser incentivada, ao menos no começo. Música, basicamente, é sobre pessoas e suas reações, então você não pode querer o controle absoluto sobre tudo – e isso vale para as suas ferramentas de produção também. Tente encorajar o inesperado na hora de compor – 75% do que sair pode ser inútil, mas os 25% restantes podem ser inspiradores. Encare como uma jam session, sem um rumo definido –  isso pode te levar a ideias que você não teria pensado de forma lógica ou, ainda, que possam ser desenvolvidas depois. Não desanime se a maior parte do que vier for ruim – a parte boa, mesmo que menor, quase sempre compensa.

 

Saiba a forma dos arranjos e estrutura típicos da música eletrônica

Conheça o básico da música para que você possa, em seguida, subvertê-la e desafiar as expectativas, com uma estrutura própria e orgânica. Ou seja: aprender as regras, compreender como e porque elas funcionam, para que você possa saber quando efetivamente quebrá-las. Então, não há problema em pensar em seções de 8, 16 e 32 barras para começar. O erro consiste em manter essa estrutura rígida demais, mantendo os instrumentos em 16 barras, para depois passar tudo para as próximas 16, por exemplo. Para fazer uma música baseada em blocos que seja atraente é mais interessante abandonar a construção linear e se organizar em camadas, eliminando-as no sentido inverso depois do clímax ou, ainda, “matando” a maioria das camadas para revelar apenas uma única camada que contém o gancho. O motivo pelo qual isso funciona tão bem é que a técnica permite equilibrar os kicks e graves para uma sensação hipnótica, ao mesmo tempo que as camadas superiores trazem uma impressão de progressividade e desenvolvimento para a pista.

 

Certifique-se de que você tem uma grande base sonora para produzir antes de se deixar levar por FX e design de som

Não foque demais, ao menos no início, em como a gravação vai ficar. Muitas pessoas tendem a se fixar nisso, quando o melhor seria juntar as partes, antes de mais nada, e ver como elas soam musicalmente – design sonoro, efeitos e mixagem vêm depois. Fazendo isso e usando sons familiares para você, dá para construir rapidinho um arranjo e testar as suas ideias e, à medida em que os grooves e progressões de acordes vão surgindo, você vai substituindo os timbres originais por outros mais novos, mais fortes ou que sejam mais adequados ao resto do track.

Dá vontade de mexer em tudo, mas ainda não é a hora. Deixe isso pra outra fase

Busque abordagens diferentes para compor e arranjar

Se você está produzindo música eletrônica por um longo período, é fácil começar a se sentir travado e sem criatividade. Mudar constantemente seu método de trabalho é uma alternativa para enxergar a música através de um outro ponto de vista. Essa interrupção da monotonia geralmente resulta em momentos de inspiração e no desenvolvimento de novos truques e técnicas.

 

Algumas sugestões:

 

Método de loop – escreva uma melodia ou uma seção de bateria de 8 ou 16 tempos e, em seguida, adicione outros instrumentos nesse núcleo a cada vez que você reproduzir esse loop. Uma vez que você colocou elementos suficientes para sentir que chegou ao clímax de uma track, copie e cole o loop no comprimento de uma faixa e, então, comece a silenciar partes para criar variações no arranjo.

 

Método de amostra – reúna uma pequena seleção dos seus samples ou suas próprias gravações e tente montar um track usando só isso. Você achará a restrição desafiadora e, eventualmente, criará coisas legais que você talvez não faria se tivesse opções ilimitadas.

 

Método piano – tente criar uma faixa completa usando somente o timbre de piano. Uma vez que você conseguir uma boa progressão melódica, é hora de substituir o timbre de piano por synths, bateria e outros instrumentos, para só então seguir com efeitos, programação e processamento. Obrigar-se a começar uma música com base musical garante que ela não será dominada pelos efeitos e os resultados costumam ser mais compensadores.

 

Método jam ao vivo – comece com um loop básico de baixo e bateria, copiados durante uns dois minutos. Escolha um pacote de sintetizador e comece a improvisar até que consiga uma melodia ou acorde que você goste. Grave uma ou duas vezes, ouça de novo e separe o que você achar que tem potencial. Repita o processo, mas, dessa vez, focando no desenvolvimento das partes em potencial ou, ainda, use essas partes para desenvolver outras, da mesma forma que você começou. Evite processamento e efeitos logo de cara, para manter o fluxo do improviso e, só depois, pense nisso. Você perceberá como a sua abordagem inicial vai se modificando à medida em que as partes vão se desenvolvendo.

 

Método imersão musical – veja quantas faixas você pode produzir a partir do zero em um único dia. Isso faz maravilhas para desbloquear sua criatividade e forçá-lo a perder as tendências perfeccionistas que, muitas vezes, o impedem de finalizar boas ideias na sua produção musical.

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Menos é mais: cinco peças ou menos a qualquer momento

Se você ouvir um monte de arranjos em qualquer estilo, vai perceber que a maioria deles não contém um grande número de peças. Cinco elementos de uma só vez, – com os kicks incluídos – geralmente, é o máximo que você vai ouvir e essa regra parece se estender além das fronteiras de gênero. Se jogar em camadas e mais camadas pode ser uma tremenda perda de tempo, já que há elementos demais para o cérebro notar, antes que tudo se transforme numa massa sonora disforme e o impacto individual das peças se perca. Dito isso, no entanto…

 

Adicione camadas ou duplique partes para dar mais pegada e caráter

Cinco partes não querem necessariamente dizer apenas cinco instrumentos. O caráter e a variação sonora podem ser compostos de vários elementos individuais cuidadosamente escolhidos, de forma que, embora todos ocupem sua própria faixa de frequência, cada um contribui a uma composição que é percebida no final como uma única peça musical. Se feito da forma correta, dois timbres podem formar um só, com mais peso e caráter.

 

Aprenda um pouco de teoria musical

Mesmo uma pequena quantidade de conhecimento de teoria musical pode melhorar e muito as suas produções de música eletrônica.

 

Não é chato nem científico e vai te ajudar a encontrar eventuais erros ou facilitar a análise do que está ou não funcionando no seu track.

 

Outra grande vantagem de saber alguma teoria é que você pode voltar para a parte técnica quando a inspiração pura e simples estiver em falta e, assim, manter os seus projetos fluindo. Assim, sua produtividade vai melhorar junto com a sua compreensão.

 

Já que chegou até aqui, por que não aproveita para dar uma olhada em nosso curso de Síntese Sonora? 😉